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Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.

Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.


Roberto Gamito

14.01.21

túnel de vento podcast

Apeadeiros da conversa:

Pandemia e construção civil, artífice do mexerico, chorona profissional, fechado por motivos pessoais, deep de pacotilha, escola aberta durante a pandemia, O Livro das Origens.

Podem ouvir o episódio no Soundcloud ou em qualquer outra plataforma de podcast.


Roberto Gamito

14.01.21

O comércio do boato anda meio paradinho. Em virtude da pandemia, essa sacana incansável e cheia de truques que nos enredou numa inédita teia de hábitos, fez com que as velhotas — sobretudo as velhotas —, eternas estafetas mancas da mensagem magnificada pela patranha, não se sentissem seguras no exercício da sua nobre função de disseminar fake news regionais. Se fizermos um inventário às pastelarias e mercearias do bairro, percebemos que a velha, outrora o animal mais comum nesse habitat, é poucas vezes avistada, mormente de fugida, afirma o biólogo. A covid-19 transformou a velha regateira — perdoem-me a redundância, mas quero legar margem aos vindouros para espécies de velhotas que possam vir a ser catalogadas num futuro distante —, um bicho maravilhosamente social, amigo do diálogo e do monólogo, delta de todos os rios de histórias, num bicho esquivo. Não quero iniciar uma demanda humorística à volta das consequências profundas que o afastamento da velha provoca na sociedade. Provavelmente, nas cidades, sítios povoados por rezingões de todas idades, territórios onde o bacalhau e o beijinho nunca singraram, o afastamento da velha não surtiu o efeito que tanto me encanita.

Na vila, as velhas são rodinhas e roldanas indispensáveis para o satisfatório funcionamento da maquinaria social. A vila fervilha de histórias e zaragatas graças à velha mexeriqueira. Sem ela, a vila morre. No início era o mexerico. António Costa está ao corrente da importância do mexericar da velha e deixou, sabiamente, as igrejas abertas para que a prática da missa ocorra sem entraves. Talvez o leigo no tocante ao estudo da velhota não saiba, mas a velhota crente, que é a facção mais populosa de velhas, (a proximidade da morte é óptima a converter incréus) entende a missa como um ninho de intrigas. No meio daquele cochicho macerado, a Ave Maria partilha as mesmas ondas sonoras com os segredos mais macabros que a velhota foi colhendo ao longo da sua vida. Em jeito de síntese, na missa o boato prospera. Deus queira que sim.

Em princípio, estou imune a essa máfia do mexerico. Vivo orgulhosamente só, só abro a boca para deixas maquinais, a saber: bom dia, obrigado e até amanhã. Prescindo dos afectos que o diálogo com a velha possa eventualmente trazer. Sou, como se costuma dizer, um bicho do mato.

Parece mentira, mas noventa e nove por cento das pessoas que analisei apresentava-se vulnerável diante da velha, velha essa desejosa de lhe vampirizar as entranhas. É sempre a mesma cantiga. O outro confia-lhe as suas tristezas. As suas angústias nunca antes verbalizadas. Os seus fracassos amorosos. A sua turbulência económica. A velha recebe isso tudo como se fosse uma carpideira, despede-se e, no momento seguinte, qual aedo treinado para a desgraça, poetiza as desgraças do Homem numa epopeia de esquina, fazendo com que a criatura pareça ainda mais desgraçada do que é na realidade. Percebo, a velha é a mãe do espectáculo. É preciso exagerar para manter a audiência interessada.

 

Velha e o Comércio do Boato

 


Roberto Gamito

13.01.21

Inevitavelmente, aos nossos olhos, o Homem está no mundo como peixe numa margem. Quando muito, estrebucha enquanto se tenta enturmar com os restantes peixes. Os últimos suspiros de um cardume dinamitado. Um estranho ritual onde os desajustados fingem que estão como peixe na água. Os mais esclarecidos, que pertencem a uma espécie à beira da extinção, notarão que o estrebuchamento é o prelúdio da morte. Visto desse prisma, a vida é uma dança repetitiva que não merece o nosso aplauso. Sendo ainda mais crítico, a vida é uma manifestação artística que é levada em ombros pelo apupo.

Dizem os antigos que a morte dá valor à vida. Só nos Homens é que há um animal com a capacidade — e o tempo — para elaborar uma frase dessa índole. No mundo animal, onde a morte fita a sua presa enquanto o animal rumina, não há lugar para reflexões dessa natureza. Nunca um gnu enfezado, um daqueles velhotes, um macho proeminente reformado, fitou uma leoa nas redondezas e cogitou: “A morte espreita, sinto-me valorizado. Haja alguém. Sou vituperado pelos elementos da manada todo o santo dia, pensa o gnu, sou alvo de piadas, sou enxovalhado, em suma, sou esfrangalhado pela crítica maldosa. Não fosse a morte e eu sentir-me-ia um inútil.”

O Homem, que por tradição é mais estúpido que sábio, recebe a notícia da chegada da noite inescapável com tiradas deste género: "A morte avizinha-se, vou escrever um poema". Não era caso para dar uma valente lambada no aedo? O bardo desperdiça-me uma vida na vagabundagem, a carambolar por ruas esconsas como se fosse um gato atrás de uma gata com cio, a estragar o fígado com zurrapas e, ao sentir a morte a morder-lhe os calcanhares, dá-lhe para elaborar arte. Beneficiávamos artisticamente se este maltrapilho levasse um correctivo nas nalgas.

Há que dar o exemplo. Estou desconfiado que foram os poetas a motivar os monólogos de despedida ou qualquer nesga de sabedoria postiça que os moribundos julgam ter. Morram e não macem as pessoas com palavras tristes ou com livros enfadonhos. E mais que isso: não dêem spoilers.

 

Peixe na margem, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

12.01.21

Habitualmente, ocupo-me de temas graúdos, a saber: mamas, rabos e pouco mais, que o meu miolo não se deixa engodar pela cantiga da frivolidade. Não obstante a dedicação que ponho no tratamento de tão notáveis temas, há dias em que é necessário abordar assuntos menores, tais como a humanidade e a sua extinção.
Há duas formas de andar nisto: ou pegamos o touro pelos cornos e tentamos negociar umas tréguas duradoiras, onde, nós e o touro, nos deitamos sobre uma toalha de piquenique e cavaqueamos sobre a poesia contemporânea, ou, como Édipo em Colono, a última obra que chegou até nós de Sófocles, principiamos a ansiar que o pó nos cubra e que os nossos pecados caiam no esquecimento.

A muito longo prazo, o Homem terá desaparecido e provavelmente todo o acervo da humanidade, os nossos degraus postos em tela ou em papel, livros e peças de arte de todos os feitios devorados pelas traças ou pela erosão, eis o que nos aguarda o futuro. Aos vindouros, quiçá ratazanas bípedes, legaremos o lixo radioactivo produzido nas centrais nucleares. Escondemos no interior da terra aquilo que somos: produtores de veneno. Esses territórios doentes, como ilhas inabitáveis ou depósitos de lixo radioactivo construídos às três pancadas, serão o nosso único retrato. Grande herança.

Até se alcançar o ponto crítico e se tornar inevitável que a arca se vire — a arca partilhada entre Homens e animais —, podemos pensar em duas coisas: quem somos e quem poderíamos ter sido.

Todos os dias se extinguem espécies, de animais de grande porte até insectos. Grande parte dos animais nunca foi catalogada. Nunca saberemos de facto o que se perdeu. Ou, se quisermos ser mais directos, nunca saberemos ao certo os animais que assassinámos.

Há algo de sinistro — o tipo de impotência que deve sentir alguém diante de um reactor nuclear prestes a descontrolar-se — em ver o mundo, outrora fervilhante de biodiversidade, entrar em declínio. Pela primeira vez na história do planeta, uma extinção em massa tem a mão de um animal, o animal vertical, o mais capaz de toda a criação. Parafraseando David Farrier, desde o desenvolvimento da agricultura, domesticámos 474 espécies animais e 269 espécies vegetais. Achei por bem partilhar esta informação.

Já muito se escreveu sobre o estado actual da arte e do pensamento contemporâneo, mas creio que podemos ir um nadinha mais longe nessa ideia — ou profecia, se preferirem — de o pensamento estar à beira da extinção.

À medida que o mundo se torna inabitável, os animais invertebrados prosperam. Não são os corvos nem os abutres que representam a morte, mas sim as alforrecas. As alforrecas sobreviveram à Grande Morte. Estão aptas a sobreviver, tal como as bactérias, num oceano privado de oxigénio. Quando elas prosperam, como sucede actualmente, é sinal que o fim se avizinha. Estamos a passar de ecossistemas que favorecem vertebrados a mares dominados por alforrecas.

Não seria ousadia pensar que o mesmo sucede em terra. Enquanto os vertebrados levam tempo a adaptar-se se quiserem continuar vivos, as alforrecas estão tranquilas, como se nada fosse.
A verticalidade torna-nos vulneráveis.

Os invertebrados, estejam eles no oceano ou nas artes, serão esquecidos, dado que são incapazes de deixar marcas nas rochas.

 

Dinastia de Alforrecas, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

11.01.21

Não quero ser desrespeitoso, mas parece-me que o rabo tem adquirido um prestígio anormal nos últimos anos. Sou do tempo em que a fama do rabo andava taco a taco com a das mamas. Num tempo não muito distante, a questão que norteava todas as mesas da taberna era: cu ou mamas? As duas primeiras tribos: a facção do cu e a facção das mamas. As redes sociais, que proíbem a proliferação de tetas e as músicas brasileiras, terreno onde os rabos prosperam sem inimigos, fizeram com que a luta deixasse de ser equilibrada. As tetas cada vez mais franzinas não têm hipótese de vencer o rabo cada vez mais musculoso. O rabo reina como rei e senhor em tudo o que é vídeos de música, aspas na música, abanando-se de forma magnífica, convertendo os antigos cultores da teta em fervorosos adeptos do rabo. É compreensível, o rabo musical tem um poder encantatório, é raro encontrar um rapaz imune ao feitiço de umas nádegas em formato 16:9. Mesmo eu, que sou imparcial, não tenho argumentos a desfavor do rabo — confesso, já me deu muitas alegrias. Por via de aparecer em tudo o que é lado, o homem e o rabo feminino estreitaram laços, enquanto, do outro lado, a censura quebrou uma ligação milenar entre o macho e a teta. A Idade de Ouro do rabo ofuscou a mama. Faltará pouco para os últimos adoradores da teta serem perseguidos e linchados no twitter. Tempos estranhos estes em que amar um decote é pertencer a uma minoria.

Tenho perdido muito tempo nesta demanda de adorar tetas, dirá alguém que não se quer identificar, estou farto de ser incompreendido e perseguido. Vou abandonar tudo e dedicar-me à filatelia. Seria um desperdício se as gerações mais novas nunca viessem a saber que houve um tempo em que os homens se babavam quando avistavam um decote tresmalhado. Muita amizade nasceu dessa cumplicidade de ter avistado o mesmo decote. Estamos a poucos dias de “cara de cu” ser considerado elogio. É este o mundo que querem deixar aos vossos filhos? Acho que as mamas não merecem ser votadas ao esquecimento. Homens e mulheres apreciadoras de rabo alheio, reflictam bem no que andam a fazer.

 

Império do Rabo, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

10.01.21

Os recifes de coral são as cidades dos oceanos. A maior parte da vida aquática depende dessas metrópoles coloridas para se reproduzir, arranjar proteção e petisco. Como as cidades humanas, os recifes de coral são sistemas à beira do colapso.
O destino trágico destas criaturas recorda-me aquela cidade construída nas imediações de Xangai, hoje votada ao abandono; uma grandiosidade fantasmática. No melhor dos cenários, são oásis que fervilham de vida e de cor, no pior, cemitérios de tom branco-osso. Nos corais, a multiplicidade de cores representa a vida, o branco, a morte anunciada, o cinzento, a morte consumada.

Quando a água aquece em demasia, o coral escorraça os seus simbiontes, como que regurgitando a alga. Acabada a aliança que o permitia viver, despedindo-se das cores, torna-se um esqueleto faminto. Sem a cor, os corais morrem à fome.
O espectáculo do branco é anunciador do fim.

Os corais são criaturas frágeis, enfrentam muitas ameaças.
A subida da temperatura, a subida das águas, a qual impede a fotossíntese. Além disso, há algo de turismo macabro e assassino em ver os últimos recifes. Para citar David Farrier, o toque humano pode causar danos nos corais, transferir bactérias nocivas ou remover algas importantes.

 

Paisagem Inundada

 


Roberto Gamito

09.01.21

As pastelarias costumavam ser lugares azafamados, apinhados de velhotes rezingões, crianças traquinas e vendedores de bagatelas. Contam-se pelos dedos de um operário de uma pedreira italiana o número de mesas ocupadas. As conversas gravitam à volta do mesmo: a pandemia e o que o futuro nos reserva. Impressiona-me a a tranquilidade do quadro, não há guerra nem paz, só impotência. Sinto falta do berreiro dos catraios e do bêbedo que, em faltando parceiro de monólogo, se ocupa da tarefa a que ninguém quer jogar a mão, legendar os bolos da montra com pequenas biografias. Quem foi o bolo, qual é a família do bolo e quais são as aspirações do bolo. Tudo questões que merecem as horas mais produtivas do nosso cérebro.

Como encontrar o real em todo este faz de conta? Não faço ideia, em contrapartida escrevi isto: “a ficção alastrava-se para norte até ao final da língua do último Homem”.

Há algo que apoquenta o Homem desde há muito — e continuará a apoquentar, dado que continua sem resposta digna —: Quem somos? Outra igualmente interessante e poucas vezes formulada: Quem poderíamos ter sido? A arte é a resposta cifrada a estas duas perguntas. Visto de cima, o cenário antes tumultuoso revela os seus padrões, o seu vector até então invisível. Onde estamos, para onde vamos… Mas para isso é necessário voar.

 

Quem poderíamos ter sido, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

08.01.21

Eu sou um parvo magnífico. Mas isso já nós sabíamos, pensam vocês. Calma com as apreciações. Talvez valha a pena nos deixarmos encantar pela sinceridade da frase inicial. Não é frequente alguém encetar uma conversa ou um texto com uma declaração desta índole. É uma afirmação que se ouve pouco. E não é pela escassez de parvos que, cuspindo nas ideias de Darwin, se reproduzem a uma velocidade estonteante. Deixem-me só pôr umas luvas de Mickey e um nariz de palhaço, que é para me camuflar na multidão. O mundo está demasiado estranho e se uma pessoa comete a ousadia de ser normal é logo detectada e lapidada.

Embora não almeje os cumes da literatura, é sem dúvida uma frase que estilhaça os clichés do nosso século. O narcisismo impera de costas viradas para o mundo, dado que está embeiçado com o seu reflexo. É estranho — e provavelmente desaconselhável — alguém como eu, um poeta primitivo, uma espécie de Fernando Animal, expressar a fragilidade sem engulhos. Portanto, sou um parvo num mundo de génios postiços. Em meu favor, posso acrescentar que sou um parvo que adequa harmoniosamente conteúdo e forma. Executo a coreografia da parvoíce sem falhas, pelo que já tenho recebido demonstrações de afecto, nomeadamente pedradas e algumas visitas de mãos alheias à minha cara.

Haverá melhoras? Encontrarei alguém que me ame como sou, um parvo incorrigível? São as perguntas com as quais me tenho debatido durante a última década enquanto me embriago.

A minha vida é um longa jornada de palermices. Com efeito, sou uma espécie de Ulisses vestido de palhaço.

 

Sou parvo, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

07.01.21

Episódio 346 do túnel de vento, o meu podcast. 

 

Apeadeiros da conversa:
.Verticalidade versus horizontalidade.
.Corro sedentariamente.
.Mulheres que se interessam por mim.
.Cartel da gratidão.
.A nossa relação com a vida.
.O budista e o trambolhão.
.Prefácios gigantes.

//

Podem ouvir o epísódio aqui: Soundcloud  ou em qualquer outra plataforma de podcasts.

tunel_de_vento_51.png

 


Roberto Gamito

07.01.21

Se, como eu, é apreciador de oxigénio e não vê com bons olhos uma morte por asfixia, concordará comigo quando digo que a vida até escapa. A nossa existência é ir afinando o adjectivo que acompanha a palavra vida. Começamos com perfeita, depois maravilhosa, boa, mediana, uma porcaria e por aí vai. Cá está o bandalho, pensa o zangado leitor: mais um choque com a realidade. Após uma pequena prece ao deus dos homens aflitos, resta-nos assumir o nosso fracasso enquanto ser que persegue, sedentariamente, a felicidade.
Não condeno o método, eu próprio o utilizo com afinco. Sabem lá o sacrifício necessário para alcançar a felicidade entre fatias de pizza e goles numa cerveja rasca enquanto adoptamos uma posição a meio caminho entre o deitado e o sentado. O chamado contorcionismo de quem já desistiu. Por vezes, no cume da bebedeira, é normal dizer para mim: o caminho é este, é continuar. Segue-se um vómito que visa celebrar a epifania.

Os sonhos que tínhamos para nós — ambições desmedidas dado as nossas escassas competências, a saber: não conseguimos acertar com o tempo ideal para aquecer a sopa no micro-ondas —, foram perecendo um atrás do outro. Os amigos vão fugindo, outros nunca passaram de miragens. Como diz o outro, a existência é um deserto. Se a experiência média de vida não pára de aumentar é porque somos camelos bem adaptados ao habitat que nos coube em sorte.

De longe em longe, encontramos outros como nós, homens destroçados, com os cacos colados a cuspo, levando a cabo um esforço desumano de molde a manter a ilusão. Cumprimentamo-nos, pertencemos à tribo dos falhados e de chofre retomamos as nossas vidas, cientes de que, se continuássemos o diálogo, a tristeza apossar-se-ia de nós e racharíamos mais uma vez.

Não sei o que o coração anda a fazer. Diante de algo reluzente, pede-nos que fujamos, não vá a coisa acabar em desgraça como da última vez. Há dias em que nos contentamos com isso, tocar no outro de raspão.

O leitor está certamente familiarizado com os benefícios do estreitamento de laços. Há fandango de lençóis, conversa que nos sabe pela vida e, com sorte, algum prazer partilhado — que obstaculiza o nossa faceta de ninja. Tradicionalmente, terminado o rebuliço de carnes, lançamos uma granada de fumo e desaparecemos sem deixar rastro. Era mesmo do que eu precisava: um motivo para ficar.
Não se nega um último pedido a um homem moribundo. E morre o ninja.

 

A vida é razoável, Roberto Gamito

 

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