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Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.

Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.


Roberto Gamito

18.02.21

Tempos houve em que era submisso ao cume. A pandemia abriu-me os olhos para a impossibilidade de continuar com a escalada solitária. Na altura, o meu maior desejo era perder a pele nessa empresa, renascer como animal outro e vivaz. Projecto adiado, cabeça atafulhada de fantasmas ingovernáveis. Cada pergunta sem respostas ameaça desdobrar-se em guilhotinas. O que é que isso faz às ideias? Sem dar por isso, ultrapassamos esse sentimento de que somos alguém e metamorfoseamo-nos no expoente máximo da nova nulidade.
Ambiente envenenado, parca capacidade negocial, pelo que os demónios se regozijam ao rés da jugular. Poeta, animal de luz alimentando-se de biscates e cruzes quebradas. Não frequento nenhum círculo de Dante. Troquei os dias por grilhetas, os suspiros por mordaças, as asas por garrotes. Não encontro primavera nesse olhar. Aprendi a emudecer antes de tempo graças à escola da vertigem.

De resto, permaneço idêntico: enterro os cornos na folha, como se ensaiasse um mergulho de criança, sem jeito nem porquê, e não sem ironia ponho o umbiguinho no papel, como os outros, porém com pólvora. Vou-me alimentando desses eclipses, desses animais fugidios, desses… Resumidamente, falta-me pedalada para encontrar alegria seja onde for. De maneiras que sou incapaz de me abstrair do inferno. Idealmente, devia abortar o eu.

Creio que podíamos dividir os Homens entre os que compilam noites destas — trevas por esmiuçar, demónios por catalogar, nem que seja só para admirar — e os que, hipnotizados pelos paraísos artificiais, não o fazem. É superficial encarar o mundo apenas como um receptáculo de perfumes. Em tempos idos, fui numa viagem para ver se conseguia regatear o regresso. Seja como for, este espectáculo tresanda a morte.

 

Regater o regresso

 


Roberto Gamito

17.02.21

Nesse dia perdido, feito lago, nadam lerdos os patos. O coração, o cavalheiro prolixo, intermediário falido. Para encarar o passado de frente, desassombradamente, seria necessário a coragem de um domador de mantícoras. Desafortunadamente, a indústria da morte não admite desempregados. Mesmo à luz dos padrões mais baixos, Z., o último da sua espécie, foi um animal raramente vertical, melhor dizendo, um homem menor. Animal sem residência fixa. A extravagância interpretativa conduzirá Z. a todo o tipo de lugares. Acalma o pensamento, a teorização excessiva é como um calor inferne sob o qual a coisa se evapora. A minha relação com o real é tumultuária, e já conheceu melhores dias. Com o avanço da miopia, aproximo o mundo para bem perto de mim, como se ver fosse sinónimo de beijo. Os míopes aproximam dos olhos aquilo que se lhes escapa. São débeis predadores de detalhes. Quando captam um — uma gota de água, uma cabeça de um insecto espezinhado — é um festival. Com efeito, há pessoas, poucas, nunca muitas, que vasculham nos escombros do seu século, no solo onde a miragem foi erigida de supetão, algo palpável. A paisagem acolhe as ilusões, ficções, miragens. Eis a família de sedativos com a qual amansamos o medo. O meu apego ao mundo das ideias deve-se a isto: o pensamento civiliza os fantasmas que nos habitam. Uma certa garantia — dada não sabemos bem por quem — de que é possível agrilhoá-los, que é possível, trocando o fôlego por linhas, verter esse rol de cadafalsos em qualquer coisa a raiar o legível.

Tal como disse Rui Nunes, a desprotecção do real está no pormenor. Aí, no minúsculo, a miragem não prospera.
Habituámo-nos aos abutres a rondar as nossas orelhas sem que disso retirássemos ensinamentos. Transitamos de morte em morte sem aprendermos a morrer.

 

Coração, o cavalheiro prolixo, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

16.02.21

Túnel de vento podcast, Roberto Gamito

Apeadeiros da conversa:
.Análise ao 'passar-se da boneca'.
.Lapo, o paraíso dos bananas.
.O universo paralelo dos bananas.
.Acordar ao mínimo ruído.
.Fumigar o meu jardim.
.O pássaro e as cabeçadas no vidro.
.Dinâmica da passarada com o espantalho.
.Pássaro campónio e Pássaro citadino.
.Entregas em tempos da pandemia.
 
 
Podem escutá-lo no Soundcloud  ou nos sítios do costume. 


Roberto Gamito

16.02.21

Nesta contenda entre estados de espírito, ganha a tristeza. De olhos fechados, vasculho nas prateleiras da memória à cata de um decote inspirador, isto é, o rastilho de uma epifania. Dando vazão ao meu desejo de menino desnutrido, troco o acerbo pelo doce e prossigo com dedos céleres pelas lombadas desses dias pretéritos. É fácil zombar deste grau de patetice. A cantilena da lamúria nunca poderá ombrear com a realidade perdida. Cabisbaixo e isolado, cantarolo este hino de sobras. O pesadelo, ou quiçá um dia virado do avesso, o qual me impele para a página em branco, é o que ontem vicejava e hoje definha. Quem destruiu as nossas maiores fantasias? Não devíamos ter lido as brochuras fornecidas pela realidade. E, não obstante tudo isto, prosseguir mais ou menos vertical, como quem tem estudos avançados no campo da imortalidade. A mão em perpétua metamorfose. Os obstáculos ao labor da mente, a azáfama de pontas soltas, a decadência da vontade. Chegados ao epicentro do território por desbravar, abrir a conversa com uma frase da qual ninguém conseguirá sair incólume. Sob o manto permeável da descrição de uma paisagem, divago sobre os fracassos amorosos. Eis um festival de corações partidos. Caindo na mais flagrante lamechice, declaro: “Ofereçam-me uma flor hoje, ontem e amanhã. Morremos todos os dias”.

 

Uma flor todos os dias

 


Roberto Gamito

13.02.21

Que nenhum dogma passe uma rasteira ou belisque a trajectória do Homem. Um quadro, seja ele estático ou dinâmico, animal ou estátua, deve enfeitiçar-nos ao primeiro olhar e só devemos despertar quando a metamorfose estiver concluída. Podemos jornadear até aos territórios vastos e mutantes da infância, voar até aos píncaros da imaginação, naufragar até às profundezas do passado mais recalcado, com as mãos atrás das costas ou com elas à frente do corpo, da carne, como se a carne e a mão falassem línguas distintas e o cérebro fosse um tradutor de vão de escada, dono de uma fluência artificiosa.

A morte. Fim. Não há necessidade de dizer tudo o que pode ser dito sobre o assunto. Este eu é, ao mesmo tempo, animalesco e civilizado — e, o que é igualmente premente, devastador. O eu, artifício composto de restos. Como a personagem de O Homem sem Qualidades de Musil, Ulrich, sinto-me (qual bomba mansa, acrescento da minha cepa) a dar passos livres em todas as direcções. Quão fragmentado está o Norte? Quantas Ítacas preciso de amealhar com os meus passos de molde a consumar o regresso? Sou sem nome ou Ninguém, sou homem hipotético e provisório borbulhando aflitivamente num caldeirão de eus. O próprio grito admite hierarquias. Um cardume ou um viveiro deles: eis a colossal diferença.

Amor, sempre o amor. Tudo o que a mão alcança e persegue deve estar subordinado a esse desiderato. Há uma incitação que me diz numa língua acabadiça: nunca desistas de o procurar, o resto não é senão ficção.

O funâmbulo é que sabe andar nisto. Para citar Brian Dillon, o futuro está mais no instável do que no estável, e o presente não é mais do que uma hipótese que ainda não ultrapassámos. Pausa para digerir o oráculo. Esta passagem é instrutiva quanto à natureza polimorfa do tempo, perpetuamente esquiva, que se metamorfoseia, qual partícula do mundo quântico, consoante o, digamos, observador. A presença ou a ausência de observador muda tudo. O observador, no mundo quântico ou no amor, como agente principal da metamorfose. Citando Ovídio de memória, de formas mudadas leva-me o engenho a falar, mas primeiro — anda cá, leitor. Com efeito, sem observador o caos segue indomável.

O funâmbulo leva uma vida despojada no fio caprichoso; o futuro, o futuro bem debaixo dos pés. Uma existência sem barroquismos nem ademanes. A maromba como único luxo. Nós, comuns entre os comuns, passamos a vida a olhar para cima, fitando o céu desabitado, pondo no discurso inveja onde devia haver intrepidez. O funâmbulo trocou as musas pela morte, pelo que nunca estima equivocamente a importância de cada passo.

 

Presente e Futuro, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

12.02.21

Palermas: cardume ou um viveiro deles. Imaginemos o que poderíamos resgatar da estupidez se houvesse possibilidade de sairmos dela. Idealizemos, se formos capazes, o perfil do bicho: mutante vanguardista, vento empenhado numa torrente de uivos. O departamento das virtudes abandonado, recentemente ocupado por uma quadrilha de vícios.
Trinta e seis partidas em falso. Continuo, como está bem de ver, por nascer. Memórias mornas esculpidas pelo desapego. Um punhado de areia escoante, o tesouro possível. A descrição de um corpo devorado pelo esquecimento. Quando sobreviver era uma novidade, saíamos mais fortes de cada batalha. O posfácio do eclipse. Canto ou dança, talvez seguido de queda. O palco orlado de chamadas, demónios emudecidos. A descrição do que passou pela cabeça de Deus quando puniu o Diabo. O amor: um território por desbravar. Os lumes catalogados por alturas, à cautela cifrados e embalados em verso e em prosa. Eu preciso de aprender a escrever, o resto aborrece-me, em cima de um chão pejado de cacos. Urge ser o vate faquir dançando sobre as sobras de uma vida quebrada. Comédia e tragédia mescladas na mesma coreografia de sangue, na plateia, tubarões de todas as eras.

Ser ao mesmo tempo faca e corte, chaga e ungento, sangue e cicatriz, preguiça e ira. Acordar um dia bem cedo, a uma hora em que não haja nem luz nem noite e enfurecer cada ponto para que nasçam universos inéditos.
E não acaba a paixão por ser assimilada pelo entulho do quotidiano? Monstro sacudido pelas definições divergentes que o tentam engaiolar. Será isso um Homem?
Mas não é a respiração justamente o testemunho da pugna com o vazio, com a morte? Calma, ainda não disse as minhas últimas palavras, nem tão-pouco as primeiras.

Não é que não aprecie uma certa comicidade na prosa, cuspir saraivadas de piadas para um alvo em movimento, enquanto o palco feito prateleira se verga com a minha dança feita canto.
A História do Homem: uma biblioteca lá para os lados do destino onde os livros foram substituídos por pássaros empalhados.

 

Trinte e seis partidas em falso, Roberto Gamito

 

 


Roberto Gamito

11.02.21

O estômago cantarola qual galo madrugador e irritadiço, como que perguntando: "mas és algum monge a jejuar?" Por esta altura — 13:30 — já deveria estar com o bucho apaziguado com paparoca da boa, contudo, a fim de manter viva a tradição de garatujar uma crónica diária, preciso de me manter sensivelmente desperto e escrever um punhadinho de linhas.
Vou explicar-me um nadinha melhor, na óptica de um sujeito propenso a ficar bochechudo e afavelmente roliço, o confinamento é uma província atreita à engorda. Quem, como eu, endeusa a comida em situações aflitivas, que é como quem diz, vê na comida um refúgio, isto é, uma morada à qual me socorro sem enguiço quando sou assolado por tempestades existenciais. No pináculo da angústia, vi-me agarrado a coisas que há muito não recorria, a saber: filipinos, batatas fritas do pacote e rebuçados. Grosso modo, decidi parar no apeadeiro do açúcar — ou como se designa na gíria, as merdas que fazem mal à saúde — antes de ingressar no território inescapável da depressão. Chucho os rebuçados como quem pede um desejo a um santo, distribuo dentadas numa generosa sandocha de presunto como quem passeia e esventra uma paisagem com os pés infatigáveis, sorvo coca-cola como um bebé americano que nasceu com o porte de um rinoceronte avançado, o qual, alapado à mãe, a suga como se fosse um cancro chorão.

Lá vamos levando a vida aos trambolhões, com a cabeça entre as orelhas, pontuando as desgraças com tiradas bem-humoradas. Por estes dias a felicidade está ausente, porém não podemos deixar de a postular e de a procurar. Resumidamente, nunca foi tão clamoroso o apelo de encher o cu com vista a afugentar momentaneamente a tristeza. Bem, vou confeccionar o almoço.

 

Estômago armado em galo, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

10.02.21

Alegro-me que tenhas chegado são e salvo a este texto. Que os deuses se revelem favoráveis para comigo, como se dizia na antiguidade. Leitor, se não te causar incómodo, vou simular uma conversa numa taberna. Passeia quanto te apetecer pelo diálogo, como se fosse teu e tivesses de o emendar.

— Sou estúpido.
— Partilho da tua opinião.
— Haja concórdia neste mundo. Mas iria mais longe.
— Não é suficiente assumir-me?
— Não nego que é um bom princípio, porém acrescentaria: Sou de longe o mais estúpido dos homens.
— Sou um estúpido humilde, nunca diria algo que me enaltecesse.
— Não lhe chamaria enaltecimento.
— O senhor está aqui a enfrascar-se?
— Vê lá se não te desviaste do caminho da conversa para ires merendar uns pontapés.
— Estás a arruinar o clima do diálogo.
— Enquanto actor deste cambalacho, parece-me um convite à insurreição. A culpa não reside em nós, mas em quem nos escreve.

É o que seria de esperar de indivíduos como estes, que não servem para nada. Não dou valor nenhum a este tipo de personagens. Dou-lhes tudo, vida, taberna e diálogo, mas mesmo assim não é suficiente. Até ao momento correu tudo às mil maravilhas. Mas não somos nada, lembrem-se disso…

— Quanto te pões com esses apartes só nos atrasas, ó narrador.
— Já perdi a vontade de andar à porrada.
— Não queres mandar vergastar a boca desse indivíduo com alho-porro?
— Não me oponho.

Bom vinho, comida, pecado de boa qualidade.

— Olha o suborno a pingar.
— Não me oponho.

 

Vinho, Comida e Pecado de Boa qualidade, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

09.02.21

Na Índia, a matança de um animal era o nascer da poesia. Aproveitando a ideia, a comédia é uma faquinha de matar patos.
Duas frases que dão a conhecer o homem.

O universo, esse oceano de coisa nenhuma, repete-se perpetuamente e põe tudo na sua gaveta, comunica uma mulher de cócoras, ficticiamente feliz.

Tantas populações de estúpidos idênticas — ou com diferenças residuais — perecem da cabeça aos pés — sem movimento nem pensamento — sem suspeitarem da existência das outras.
O aumento exponencial de palhaços, o mesmo palco exíguo.

O capitalismo, ó bicho que serpenteias entre a felicidade postiça e a esquizofrenia, é incuravelmente bipolar, com temporadas de excessos faraónicos e de colapsos depressivos.

O fetiche do crescimento. Capitalismo, o Grande, melhor, o Muito Grande, melhor ainda: Capitalismo, o Maior.

O conflito psicológico que grassa no interior dos indivíduos: Odisseia, Ilíada, Metamorfoses. Bichos, cerco e jornada. Dentro do Homem habita um catálogo de Homens.

Capitalismo, o mimo impressionantemente omnívoro. Come ao mesmo tempo que reproduz as inquietações, os medos e os distúrbios da população. Agressor e juiz, veneno e antídoto, carrasco e santo. Que espectáculo insuperável!

Os primeiros escritos budistas:
Não exercer violência sobre um só ser vivo, vagueia só como um rinoceronte.
Todos exigem a tua atenção, vagueia só como um rinoceronte.
O fogo não regressa ao que ardeu, vagueia só como um rinoceronte.

A turba inarmónica de piranhas prolíficas.

Respirar sem delírios, basta uma inspiração para aniquilar o grilhão. Mas isso em nada apraz as pessoas.

Oxalá eu me fendesse em dois para ter um rival à altura.
A baboseira da ordem, o ego a fazer as vezes do ventríloquo. Caramba, uma multidão de cus desfeitos.

Queria emprestar a minha voz estafada ao desânimo do século, mas parece que já estão bem servidos.

Matar o Animal, Roberto Gamito

 

 


Roberto Gamito

05.02.21

Hoje não me apetece escrever sobre marotice. Acaso estás são de cabeça e de espírito por estares a recusar essa proposta? É que agir de maneira parva e falar-se estupidamente em certas ocasiões, nenhuma das duas coisas dá saúde por si só. A magia, concedo, surge quando, na jigajoga da estupidez, abrimos a mente para terrenos mais ebulientes. Nem uma pitada do meu tempo, cogita o ilustre leitor, se é para não inculcar sexo na prosa. Aí, continua o leitor, decide-se acerca do divino e do humano. Vou ser sincero convosco: não me sinto inspirado de molde a dar uma pincelada à altura do tema. Seria espantoso se me conseguisse calar e levar as minhas palavras para o fundo do oceano e nunca mais regressasse. Apesar de merecer esse menosprezo da vossa parte, a minha posição não se equipara à vossa. Sinto um prazer macabro ao ler uma pessoa que tenta manter-se no fio do interesse sem recorrer às magias da cópula. É tempo de eu me acercar com unhas e dentes da monotonia. Ora aí está uma frase que pode funcionar como remédio para as insónias. Não estou a conhecer-te, exclamará o freguês habitual do blog. Veja-se o trabalho em que me fui meter com a minha necessidade de fugir aos temas com provas dadas. Mamas, uma só palavra, terá mais peso nesta prosa do que mil palavras minhas. Estarei a prestar-vos um favor enorme e de nenhum outro modo poderia auxiliar-vos tão vantajosamente. Há mundo para além do sexo.

Eu poderia encontrar uma pontinha de argumentação e expô-la com grandiloquência durante milhares de linhas, mesclando céu e inferno, frio e calor, intelecto e instinto, todavia mamas.

 

Todavia mamas, Roberto Gamito

 

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