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Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.

Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.


Roberto Gamito

17.05.24

Não desejaria a ninguém que fosse eu. Descansem, não me chamo Ismael, nem tão-pouco desbarato a vida a perseguir cetáceos albinos; o que de mais parecido tenho com o arpão é o lápis atrás da orelha. As ervas, segundo li nas notícias, tomaram conta dos jardins dos caminhos que bifurcam; o barão trepador, por virtude da escassez de árvores, foi pontapeado das copas por um macaco futebolista, treinado no circo e regressou sem pinga de bazófia ao solo, embora tenha experimentando a vida nos arbustos durante uns dias, não era a mesma coisa; o diabo abriu uma churrasqueira no nono círculo de Dante — e só lhe desejo sorte para esta nova empreitada e, como vivemos em pleno canto de cisne da fartura, Tântalo, finalmente, matou a fome e a sede — e isso só nos devia orgulhar. Fui morada de multidões de possibilidades e aos poucos, ignoro se por cansaço, se por sabedoria, se por passatempo, fui escorraçando-as, uma por uma, ou aos cachos, e hoje sobro eu, um eu sem penas, indigno de figurar num quadro. Um eu implume sem as próteses dos cenários hipotéticos. Despenteando o caminho que haviam traçado para mim com um pau treinado a escavacar pinhatas, preenchi a minha agenda com as tarefas mais inúteis que logrei lembrar-me, irritando os virtuosos dos horários que, em virtude da organização, despacham um ano de trabalho numa tarde. Não faço tenções de abandonar o dédalo, afeiçoei-me ao Minotauro, respeito o seu labor e com sorte ainda encontraremos a saída do labirinto na amizade. A minha biografia é contrabandeada a preço de saldo por amigos e vizinhos sempre que me afasto um pouco. À semelhança dos grilos, se me aproximo muito quando a orquestra das tangentes se abate sobre a minha vida, calam-se, mudam de música, sintonizam uma rádio que não passe fado. Não me faltam, por conseguinte, candidatos a biógrafos. Pauto-me pela discrição, dizem, pela celebração do insignificante, quer dizer, do risível, e pela miniaturização do mundo alheio. A cidade — e quem diz cidade, sonhos, qualquer empreendimento faraónico posto em palavras ou em acto pela ambição humana — é metamorfoseado numa maquete, uma versão de esferovite, reduzida ao mínimo, por assim dizer, terreno onde a hipérbole não medra. Por muito adubo que a publicidade ponha na discussão não logrará desmentir-me, eis uma certeza. Cultivava distância como quem cultiva tomates, continuamente e sem alarido. Ridicularizo alianças, amizades, simbioses; as uniões, para mim, são salas de espera onde os traidores alinhavavam planos magistrais. Ou, se preferirem, a aliança é um viveiro de regicidas.
A burocratização do amor causa-lhe asco. Afastou-se das pessoas quando se deu conta que ninguém entendia amor-próprio como oxímoro. Partilhava com os sábios que habitam os cumes dos livros, os do mundo real não faço ideia, a repugnância pelo conceito de grandeza.

A nossa personagem — esta é uma versão em torno da qual o debate continua aceso — fugiu de casa de madrugada e deixou, na cama, o seu nome entregue às traças. Desembaraçou-se dele e passou a ser oficialmente anónimo, assim em minúsculas de molde a não criar inimigos. O anónimo anda na rua como quem se dirige para o cadafalso. Sem os arabescos da pose, uma coreografia esculpida a suspiros que se afigura perfeita aos olhos de um público ávido de verificar se a gravidade ainda funciona para aqueles lados, se é neutra como tanto asseveram, ou se, pelo contrário, não desperdiça uma oportunidade para despachar mais um homem. As partes seleccionadas, as que compõem este relato destrambelhado, as quais oscilam entre testumunhos, primeira e terceira pessoa, versões oficiais (duvido!), oficiosas, apontamentos laterais, notas de rodapé tentam pôr de pé o edifício de uma existência que se votou ao apagamento. Nada do que fez, segundo se sabe, foi feito para ficar. Não havia nele, segundo ex-amigos, a menor pinga de angústia. A mortalidade assustava-o tanto como um gato preto num esquina mal-iluminada. Obriga-nos ao salto e é só — não ficamos nem mais nem menos traumatizados. Respirava baixinho, como uma pedra, como se temesse estorvar o pensamento alheio com dióxido de carbono ou oxigénio mais ruidoso. Racionava oxigénio, esse era o seu legado para as gerações futuras. Perto dele, os nudistas sentiam-se encasacados, uma fraude. Tudo nele celebrava o despojamento. Dos actos, aos gestos, passando pelas palavras, não havia nele o abismo entre a acção e palavra. A palavra era a legenda perfeita do acto e vice-versa, e isso levava às lágrimas até o mais marmóreo filósofo. Quem quisesse aprender teria aprendido com ele o encanto das pequenas coisas, da possibilidade efervescente todavia sem discípulos, descortinando nos passos dele a biblioteca do fracasso, as hipóteses quebradas que elevavam o falhado a faquir. Habitamos uma terra de cinzas. O papa, num dos seus encontros com o anónimo, exumou do olhar do homem-sem-nome um rosário de amadas, um não sei quê de infância e, caso não tivesse virado costas à psicanálise, teria encontrado uma explicação à altura do mistério.

De facto, há críticos que sustentam que, sob o jogo de luzes deste homem sintético, casa de espelhos onde desdobramos o homem contemporâneo, debaixo do verniz enternecedor de uma solidão que só nos livros singra, se esconde, nos bastidores destes linhas, o narrador a apoucar a toque de porrada a hipocrisia vigente. Qual cobra no meio dos pedregulhos, a biografia do autor assoma-se, dotando de cabecinha os interstícios, no testemunho. Escorraçado da guilda dos apóstolos da recusa, à cabeça, Bartebly, quer infiltrar-se, dê por onde der, no clube dos resistentes.

Um zero tão à esquerda que Deus foi obrigado a repensar a sua definição de nada. O que mais desejava era ser esquecido, qual animal recém-falecido na savana. A fome ou o cartucho como ponto final. Tinha a consciência que havia indivíduos que mais pareciam furgonetas apinhadas de nomes de mortos. Se ao morrer fôssemos esquecidos sem adendas nem direito a notas de rodapé, nesse dia acabaria o mal no mundo, a psicologia e o Céu.

Falamos como se as palavras não evaporassem. Ao continuar, vamos improvisando pés-de-cabra na prisão do narcisismo. Nada disto interessa. Tanto as aves como as coisas mais depenadas, as mais engraçadas e as mais ásperas têm para o tempo (aquele que passeia os dentes sobre a nossa pele e ensaia o nosso fim de molde a não falhar nada aquando da estreia da peça) o mesmo valor. Abate-se sobre tudo, ser vivo e inanimado, com o mesmo vigor. Qual marreta embriagada pelo sangue, não descansa enquanto não escaqueirar e de nós não restar uma vasta paisagem de cacos e estaturas arruinadas. Diante do tempo, tudo é ridiculamente provisório. Ninguém vai ficar cá para acabar a história. As cigarras cantam, afiançam os cientistas, ao passo que o leigo, sem talento para fazer amigos, responde: as cigarras produzem ruído. Onde está a verdade? Em quem estuda ou em quem anda no meio das cigarras? Há que ter o ouvido imparcial para responder à altura. O taberneiro, ao ouvir esta última parte, disse: Sim senhor, ainda hoje é segunda-feira e já me roubaram o ânimo. Começa bem a semana.

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Roberto Gamito

16.05.24

Como se foge a isto? Quando escrevo estas linhas, que poderiam ser outras, caso as musas cooperassem, reparem, engendrei uma miríade de engodos com o intuito de as atrair e, até ver, nada surtiu efeito, não peço muito, contentar-me-ia com a da comédia, a desengonçada e por um triz exumada Talia, ou, estando ela muito ocupada a digerir o mundo numa cama de interpretações e notas de rodapé, a cabeça de Medusa servir-me-ia igualmente, parado é que não posso estar. Aproximo-me a contragosto da casa dos quarenta sem coreografia digna de ser fotografada, construindo, ruga a ruga, rusga após rusga, o rosto derradeiro. Pondo a primavera para trás das costas, enxotando as andorinhas com uma fanfarra de bufas como é próprio destas idades, fazendo adeus às cores de outros tempos ao som de ossos tagarelas — corpo enquanto casa assombrada onde tudo é instrumento macabro, cada vez mais vizinho da morte — ó vizinha acaso não tem uma coroa-de-flores que me possa dispensar?, como se as palavras fossem tombando sem alarde do discurso como pétalas afónicas, no chão lâminas rombas, como se me rapinassem com dedinhos ágeis de contrabandista o passado e perfume e me abandonassem com uma mão atrás e outra a frente na grande catedral do Deus desconhecido, no interior da qual, o homem enlouquece sem ajuda de terceiros, tipo câmara anecóica, o sangue juntamente com a chusma de barulhinhos de início incógnitos ganham tamanho e biografia a ponto de alcançar a corpulência de um predador jurássico, dos famintos e logo a abarrotar de dentes, e receber, à minha frente, bem empratado, o inferno ao meu gosto — sem que o tivesse encomendado. Dono, ou melhor, sócio minoritário, de uma verticalidade precária, de um esqueleto que vê nas dores a oportunidade de receber mais uma leva de socalcos, exilado na sua própria imagem, descortina favas dia sim, dia não em cada passado dado, narciso em fim de carreira, rei capaz de entediar o mais enérgico dos regicidas, orador motivacional de fantasmas, embora sem efeitos por aí além, depenado por qualquer mão, virtuosa ou calejada na marotice, vencedor no papel e derrotado na prática e mais um rol de lugares-comuns incapaz de detonar esse guarda-roupa de peles secas guardadas no fundo do baú da existência. Podem vir a fazer falta, pensa, a época alta dos bailes de máscaras está longe de acabar.

 

Ao olhar para o espelho, como é comum nos filmes, dá-se conta que, ao desnovelar o reflexo, ingressa numa inabarcável galeria de cadáveres, aqueles que poderia ter sido e outros que, querendo ou não querendo, acabou por ser, e ainda outros que, carambolando entre o passado e o futuro, foram traduzidos pela memória, esta dotada da insânia de enterrar o rosto inicial no esquecimento e devolver-nos a cabeça de um animal inclassificável. A confusão é tanta que ignora se matou Laio ou se vive debaixo das suas saias. O nosso homem, o qual se havia desembaraçado do nome para que pudesse entrar e sair de todas as histórias sem ser notado, ele que, ao contrário do poeta, não o habitou, quando muito morou lá por favor, fora inquietado por uma dúvida. Como se foge a isto sem enlouquecer? Serei eu, também, obra do acaso. Não suporta não ser senhor de si próprio. Medrou como humano enquanto os lábios de uma Beatriz escaqueirada pelo tesão não se esfumaram da sua cabeça. Nada havia a fazer. Punha-se a vampirizar a sua magra biografia, a enxertá-la com episódios alheios, ele que fora, que epifania azeda!, estupidificado por mil servidões. O jovem, apodemo-lo assim para efeitos de ódio, veio directamente da cona da mãe para o insultar. Levou com enxovalho no lombo e placenta na careca. Sabe lá ele o fim que o espera, pensou, e prossegui com seu monólogo interior. 

 

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Roberto Gamito

03.05.24

A história já não interessa. Numa manhã de julgamento, o algoz suspirava tipo panela de pressão do alto do seu metro e meio com a sua farpela, de um negro por estrear, incluíndo capuz, o qual o votava ao azedo anonimato, isto, se visto com a nossa lente contemporânea, na indumentária nunca facilitou, aí perdeu sempre a cabeça, o que diriam de mim se aparecesse com farpela desbotada, há que ter brio no nosso ofício, tem os seus inconvenientes, dir-nos-ia se nos cruzássemos com o carniceiro num café, espanta amizades, no entanto é óptimo se tivermos um funeral após o trabalhinho, vamos directos para o cemitério sem mudar de roupa, cogitava ele de si para si enquanto senhores com a cabeça a descoberto palravam do alto de um palco improvisado, há pouco tractor atestado de palha, a lengalenga da justiça, conceito tão mutante que podia ingressar na escola dos X-Men, e, eis o importante a reter, parceiro de uma lâmina calejada no ponto final. Pensamentos vindos sabe-se lá de onde ocupavam-lhe a mente e assim montava o baile mental onde as memórias dançavam ao som de um acordeão cacofónico. Ouvem-se aplausos após a cabeça tombada — é para isto que querem viver mais, murmura o algoz.

Um sem-conto de personagens estrebucham em salas onde só a burocracia medra, design inteligente, três cadeiras e está montado o labirinto, entoam uma pilha de veredictos num tom esganiçado de fadista decadente, sentadinhos e quedos quais regicidas domesticados pelo ordenado mínimo, com o cu semeado na cadeira desconfortável qual vida de pobre, isto a fim de não perderem o lugar — o triste jogo das cadeiras —, porém com um dedinho em riste qual maestro cheio de varizes, o qual conduz uma banda de fantasmas. Seres catrapiscados por forcas sedutoras que chegam atreladas a dívidas que, ao contrário de Deus, nunca nos perdem de vista. A fazer fé nas palavras do narrador, são santos; se acreditar nas palavras do literalista, sátrapas de gola alta.

Continuamos as mesmas pessoas com as palavras de sempre, como actores engaiolados num grande sucesso. De tantos solavancos, a ordem antiga extraviou-se. Há dias em que só principio frases com adeus, como quem espatifou os olhos na leitura de compêndios de sabedoria irrevogável e vem à janela para se despedir dessa galeria de quadros cínicos, económico-abstractos com um ou outro pirete — como manda a tradição dos iluminados. Exegetas vêem hieróglifos onde os taberneiros vêem apenas números.
A diferença que a educação faz na apreciação de um cenário.
Discutem-se atrasos, propõem-se adiamentos — muita lábia para que tudo permaneça o mesmo pântano.

Receoso de me levantar mais torto, já me aconteceu armar a zaragata por não gostar da disposição dos tremoços no pires, bem como o episódio onde fui fulminado pela combinação de cores de um pelotão de ciclistas, os maiores produtores de poluição visual, que bebem minis de licra, comportamento que deve constituir crime em meia dúzia de países, tudo isto me irrita e enxerta mãos pelo lombo, visto que a raiva é o leito de onde exumamos os recalcamentos — e reparem, são bichos esfaimados sem vocação para as simpatias da vida adulta.

 

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Roberto Gamito

02.05.24

Novo episódio do podcast Tertúlia de Mentirosos. 

Ricardo Araújo Pereira.

O ponto de partida para esta conversa foram os livros Coisa Que Não Edifica Nem Destrói e A Doença, o Sofrimento e a Morte entram num Bar - Uma Espécie de Manual de Escrita Humorística, ambos escritos pelo RAP.

 

Deambulámos por uma enormidade de temas, a saber:

Teorias sobre o riso - Incongruência e superioridade, As piadas são à custa de quem?, Cães à antiga e cães vestidos, Superioridade forjada, “A melhor decisão que já tomei, Glossário de palavras que nas redes sociais significam uma coisa e fora das redes sociais significam outra, “Humorista” e “piada”, Filme The Social Network; Seguidores, redes sociais e sede de sangue subtil; Swift e Jimmy Carr, Nós deixámos de perceber que uma piada é uma piada?, Aversão ao cerebral, Expressão “consumir comédia”, A autenticidade autêntica e autenticidade pechisbeque, Evolução de um bit do Dave Chappelle, Isto é Gozar com Quem Trabalha, Benefício de Dar Peidos de Swift e o prestígio do tema, Filme Patterson (1), O que podemos esperar de uma piada, Para que serve a coisa X, Prestígio da eficácia, “Eu não gosto muito do programa, aquilo é só para fazer rir”, “A verdade foi privatizada”, A grande obsessão humorística da Joana Marques é a vaidade", A ideia segundo a qual a comédia é ferir, Brincadeiras à volta do mito de Narciso, Episódio do fascinante podcast “Coisa Que Não Edifica Nem Destrói” - Afinidades entre Comédia e Pugilismo, “O soco é muito pedagógico”, Kickboxing e confiança, O combate e as indicações dos treinadores, A palavra ‘delirar’,  ‘músculo’ e ‘alarme’, (O livro de moscas sobre o qual o RAP fala sempre em tom elogioso será brevemente editado), Piquenique e moscas, O humorista é um activista anti-pompa, Questionários de Verão, Preguiça e rancor, Conhece-te a ti mesmo é uma paródia de Dioniso?, Eufemismos e novas formulações para dizer as coisas de sempre; A comédia é concisão? Exemplo contrário; O valor da repetição na comédia, Jacques, o Fatalista de Denis Diderot, Mil e Uma Noites e Xerazade, Recomendações de livros - Era Bom que Trocássemos umas Ideias sobre o Assunto de Mário de Carvalho, Os Cadernos de Pickwick de Charles Dickens, O episódio das cerejas do Mixórdia de Temáticas, Dois totós a falar parvamente sobre livros de humor pouco conhecidos e/ou esgotados. 

Ouvir episódio aqui:

(1) Poemas Escolhidos de RON PADGETT, Assírio & Alvim 



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