Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.

Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.


Roberto Gamito

21.06.21

Todos os desfechos das hecatombes são covers do silêncio primevo. Penso em rituais de engrandecimento do ego e rituais de esmagamento do ego.

Como é que se chega à perfeição sem fazer batota? Qual dos atalhos devo adoptar para o meu caminho? Um homem com pernas suplentes como os mongóis tinham cavalos. Parar é morrer.

A pandemia enquanto parteira de novos microcosmos. Milhares de homens armados em planetas em miniatura orbitam com afã à volta de casa. Os astros despenham-se sem pedir licença. Os profetas vêem-se esmagados no seio de uma destruição ininterrupta, tornaram-se obsoletos. A profecia ruinosa é lenta de mais para um século como o nosso.

O lado fascinante da palavra: exibe e oculta. Por vezes em simultâneo. A palavra nua para uns, enfarpelada até aos olhos, para outros. Sedução caleidoscópica?
Uma síntese: motivos para prosseguir:
(preencher quando houver certezas.)

Sair da folha para fugir de quem está na escrita. Criador ultrapassado pela criação uma e outra vez.

A dor entra com força a meio do poema, destroçando pássaros e orquídeas. Com as sobras nas mãos, perfumes e penas, exigem-nos um novo mundo.

Há um espaço invisível em redor das obras de arte que impede o homem de ser engolido por elas. Mas o temor ninguém nos tira.

De dia contrói uma ponte, à noite, um muro. Eis o Homem.

Os poemas escritos durante o arco da humanidade não chegam para homenagear as aves extintas. Ainda há muito para voar.

O morto é aquele que já não pode ser contagiado pela arte. A queda tem-me na mão. Uma expressão síntese para a vida: reunião de trabalhos.

Imaginar a possibilidade de empacotar o universo num verso. E amarrotá-lo.

Os números com o tempo metamorfosear-se-ão em linhas e as linhas em paisagem e tudo isso será engolido com a subida das águas.

Olhos vendados, mão vendada, pés vendados. O artista que não sabe para onde vai.

Após uma década de gatafunhos, a mão começa a desafiar a queda.

Não podemos interferir no precipício do Homem, só podemos assistir ao seu desenrolar.

Frase com um funil na cabeça, para não se morder a si própria.
Porém a ferida persiste.

Um louco pergunta ao outro compincha de hospício: Se perdesses a cabeça, ias procurá-la?

A única coisa que nos faz continuar é a sede. Perdidos ou não, não interessa: não temos outro lugar para onde ir.
Só com a cabeça de fora das areias movediças, o poeta burila a epopeia. É um teste que o deserto põe ao homem de molde a ver até onde está disposto a ir aquando da sua perdição.

Tu ontem não confiaste na minha escrita, na minha respiração. O que mudou entretanto?

Amanhã por sorte não é já.

Funil na cabeça da frase, Roberto Gamito

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D

Sigam-me

Partilhem o blog