Roberto Gamito
12.11.21
Garotos ajudam a algazarra a alcançar novos volumes. Ligarei mais tarde, para reforçarmos laços. Pela soma das cicatrizes consigo estimar a envergadura dos demónios. O beijo atarefado entre o trigo e o joio. Gestos de uma dança equivocada vendidos a granel.
Num ápice, o animal torna-se outro no quadro, adulterando a legenda. A perpétua aldrabice que é possível capturar o tempo numa fotografia é hoje incapaz de converter novos ingénuos.
O nada cortado às postas ocupa a montra e incendeia os olhares famintos.
A ventania impede o badmínton e as penas, mas contagia papagaios e velas.
O embrulho envolve o veneno e a doçaria sem problema. Arrefeço a um palmo da concretização.
Uma fúria impotente tomou conta da folha, ocupando-a de uma grandiloquência carunchosa, cujo tom e pretensão se misturam com o fel da derrota.
Frustraste, na folha e a um palmo da minha boca, as minhas actividades cognitivas com danças subtis — explosões nocturnas e insensatas.
E, para cúmulo, disseste: “Acorda”.
