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Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.

Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.


Roberto Gamito

13.01.22

Amadurecem os frutos da imaginação quando passam pelo crivo do desejo. Eis uma frase descabida sobre a qual não vou acrescentar pevide. Mudemos de mão. Estava eu a roçar os colhões na corcunda da velha quando, de chofre, fui assaltado por um bando de ideias brincalhonas. Eu, líder indestronável dos palermas, encabeçando com lérias bandos de patos bravos, ia dotar o muro velho, pintalgado de palavras de ordem, de mais uma camada de esporra. A estafada metáfora, o muro, merecia um novo recomeço — e eis-me disponível, de piçalho no ar, fazendo jus à celebre frase segundo a qual o homem é um animal político. De rostos escancarados pelo pecado, as mulheres humedeciam-se à custa de poesia sacana que joeiravam, à sorrelfa, da conversa dos machos de braguilha entrevada. Cercadas de rebotalho, e com a cona em condições de semear arroz, fechavam os olhos e imaginavam os homens e os caralhos em falta.

Bem perto dali, a picha vegetava nas calças, qual guerreiro após longa batalha. Depois de ter pelejado com uma turbamulta de cricas assanhadas, consentiu que a vitória o murchasse e começou a escrever as suas crónicas. Citemos uma nesga do livro que há-de ficar bem enterrado nos anais da História. “Um jacto de esperma que, após cumprir a sua trajectória, a qual surpreendeu físicos teóricos, purificou a cara da fêmea que cantarolava um refrão animalesco.”

Reza a lenda que o macho endiabrado tatuou uma cruz no escroto. Segundo o parecer de gente entediada e por conseguinte à cata de boatos, a sua ambição era proporcionar ao parceiro de cama uma foda santa. Outro personagem esgalhava pívias nas pausas do tabaco — nunca conseguia estar parado: o que lhe valeu uma promoção na indústria pornográfica.

A pandemia — perdoem-me o salto inesperado, mas eu não consigo estar parado — transformou o mundo num estúdio de filmes pornográficos: estamos com os colhões na mão. E cá estamos, nervosos, de calças em baixo, à espera que alguém peide um pequeno equívoco para içarmos o cadáver da humanidade das águas estagnadas.

Formigueiro nos colhões, picha entorpecida.
E a Joana? A Joana teve por várias vezes a honra de me ir às trombas. Mas isso são águas passadas. Hoje somos pessoas diferentes, de colhões e cona domesticados. Há quem, mais medroso, se veja obrigado a preencher inquéritos antes de erigir o pau. Ao rés do guichet de uma nova repartição pública, há quem negoceie paus feitos, sendo que a resposta é sempre a mesma: o sistema está em baixo, passe cá amanhã. A burocracia apossou-se do tesão. Longe vão aos tempos onde a fama do vergalho tinha o condão de levar o homem muito longe, nem que fosse a toque de porrada. Presentemente, tiramos senhas e tentamos sossegar a flauta selvagem com a patranha: “Calma, és a seguir”.


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