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Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.

Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.


Roberto Gamito

23.11.21

— O que te veio à cabeça quando me viste nu pela primeira vez?
— Confesso que a minha primeira reacção foi ficar maravilhada. Isto é que um homem!

O diálogo arrastou-se penosamente durante várias horas sem que daí saísse uma deixa digna de elogio. Ele tresanda a puta, gritou um dos personagens, não me perguntem qual, não me afeiçoei a nenhum, enquanto fitava com olhos de fome o pau eriçado do seu compincha de lides sexuais.
É a atitude expectável, dirá o sábio leitor, ninguém quer ficar com as sobras. De facto, a questão que orbita em torno de todos os rituais de sedução não é senão esta: o que terá acontecido a esta criatura desgraçada para se abalançar em tão tristes figuras?

Hás-de fartar-te de fazer coisas comigo, eis o que vai na cabeça de um dos personagens, mas até lá continuamos aqui, rígidos na nossa pose de animal civilizado. Praticamente imóvel do início ao fim das nossas deixas, olhos sem pestanejar durante os parágrafos mais infernais. Cautelosos e sem experiência, ingressamos na cena escaldante com os olhos postos no guião.
O ser humano é uma criatura patética. Promete-se o minete numa língua enferrujada.

Horas antes.
Diante do espelho, aprontamo-nos como quem prepara uma personagem para entrar em palco. Reinventamo-nos pela milionésima vez; arriscamos uma combinação — já tentámos tudo, mal não há de fazer.

Entrementes, somos outros. Por que não damos as mãos como costumávamos fazer na adolescência? Questionamo-nos o porquê disto tudo já o romance vai a meio. O início é pautado por muita tesão, o qual amiúde transborda do molde das palavras. O tempo passa e não nos aperfeiçoa. Eis uma proposta de diálogo antes do zero absoluto:
— Fodemos?
— Deus queira que não.

O princípio, o meio e o fim

 

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