Roberto Gamito
13.11.21
Belo leitor, peço-lhe que entre na crónica sem fazer barulho, não ligue à desarrumação nem aos novelos de ideias por proferir, viveiro de rascunhos cuja produção não está de acordo com as exigência do mundo actual.
Não imagine maravilhas nem precipícios. E evite declarar prognósticos desanimadores: diarreias, umas atrás das outras. Nada disso, deposite um nadinha de esperança no escriba.
Ciente do magnetismo da decadência, confecciono umas linhas numa prosa abarracada, tentando em vão ajustar a distância entre mim e o mundo. Não se pode dissimular que só com muito boa vontade é possível elogiar esta croniqueta. É uma lamentável cópia da vida, dependente da falta de talento deste garatujador.
É de admirar que, neste dinâmico e questionável estado de coisas, o meu naco de letras seja capaz de espicaçar o miolo mais sonolento de forma embriagante. Limitado por tantas ressalvas e deficiências oriundas de todos os quadrantes, que é como quem diz, nem leitor nem escritor alcançam os mínimos exigíveis para serem proclamados de iluminados.
Outrora, quando a estupidez era sinónimo de genialidade, muito por culpa do álcool que é hábil a adicionar-nos um mar de linhas ao currículo, havia um formigueiro de ideias a pôr-me o cérebro em pantanas. Mas o melhor é que não se iludam com a hesitação, de chofre posso mudar de atitude a dar-vos caça. O pensamento e a mediocridade são armas terríveis. No particular da mediocridade, vivemos tempos áureos onde é comum ver bandos desses Rambos da mediocridade a brandir a sua língua em discursos apatetados.
Grande verdade! Grande homem, exclamará alguma alminha.
