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Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.

Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.


Roberto Gamito

21.02.22

Escusado será dizer que estamos todos meio queimadinhos dos cornos. À minha frente, à distância de duas mesas, está uma mãe a educar a sua filha enquanto come um palmier de faca e garfo. Está aqui um belo trabalho! De que vale vozear ‘sê uma criatura porreira com os teus semelhantes’ se depois come um palmier de faca e garfo? Tremo só de pensar que adulto será esta criança.

Aproveitando que estou numa maré de saúde, detenhamo-nos na fauna de pastelaria. A velhota a cheirar o bolo de arroz, a senhora que molha a torrada no galão, o velho que fala aos gritos e o palhaço agarrado aos livros. Não queria ser eu a levantar a perdiz do restolho, porém não podemos continuar a ignorar o problema. Presentemente, ninguém come o bolo da forma tradicional, isto é, com as mãos. E isso é preocupante. Faltará pouco — profecia minha — para que um novo costume ganhe adeptos: comer cu de faca e garfo. Seremos todos uma espécie de apóstolo da etiqueta, atravancando a fornicação com rituais de novo-rico.
Burocratizar a foda é uma tragédia: temos de estar alerta.

A outra hipótese, quiçá menos descabida, é a necessidade de fazer render o peixe. Comer à selvagem é devorar um bolo em menos de um foguete, com faca e garfo consigo fazê-lo durar indefinidamente. Consigo racionar o pastel e assim tenho desculpa para ficar alapado numa pastelaria durante horas: estou a consumir. Eu próprio sou adepto dessa técnica de fazer render o peixe no capítulo dos iogurtes. Enquanto gordo praticante, volta e meia preciso de racionar o que ponho no bucho, não vá tornar-me um gordo surrealista pintado por Salvador Dalí, daqueles que derretem à temperatura ambiente. Como gosto de iogurtes, e por minha vontade comia aos packs de 6 de cada vez, arranjei um estratagema — a minha maior obra até à dada — que é usar a menor colher possível. A colher minúscula faz com que me demore no mesmo iogurte, dando a impressão de comer um de uma arroba. Engano o cérebro — por sorte é um daqueles que se deixa ludibriar facilmente — com um iogurte. E além disso faço exercício em virtude do sem-número de colheradas que levei à boca.

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