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Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.

Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.

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Roberto Gamito

11.03.16

Os textos deste blog são escritos (se houver boa vontade da vossa parte concordarão comigo; suponho que, doravante, especulando sobre a evolução da nossa relação autor-leitor, estes nacos amorfos, estas talhadas de nada, progridam qualitativamente em matéria de disparate; e sim, criei este parênteses graúdo tão-só por pirraça) enquanto a inspiração não chega. É compreensível que se atrase, nunca esquecer que a inspiração é feminina. É um texto intersticial, um tapa-buracos, impressionantemente ambíguo que, com sorte e com a ajuda competente do acaso, há-de adquirir algo aparentado a uma forma, algo que culmine numa identificação, algo que incite os meninos a arreganhar as beiças. Não vale a pena tirar as manitas dos bolsos, está muito frio lá fora como diz a cantilena, e além disso, o ruído estorva-me; lá para o finalzinho do texto perceberão o porquê. Alhures convencionou-se que a Comédia, assim em maiúscula para meter cagaço, tem que ver com identificação; alegra-me sumamente perceber que a lógica de cortar as goelas ao jogral caso o jogral não mexa com as nossas referências não sofreu grandes mudanças. Nunca é de mais relembrar que a internet não é senão uma lâmina. Falar para o boneco, a menos que o boneco seja o Pinóquio, é sempre ridículo, salvo quem se dedica ao ventriloquismo, mas esses, ao contrário dos demais, enfrentam um ridículo que rende algum.

 

Extraordinário!, volvido um punhado maneirinho de linhas, ainda não foi, admitamo-lo, nada nitidamente dito. Se por acaso se deparar com algum episódio da sua vida enquanto calcorreia o texto com o olhar maroto enquanto pensa este indivíduo é um ser cujo cérebro foi substituído por um vazio inconspurcável, então, desculpe-me a franqueza, mas tem sérios problemas mentais. Recomendo-lhe um psiquiatra ou uma marretada nos dedos, dependendo se gosta ou não de comprimidos. Se forem como eu, escolhem a marreta: custo a engolir os ditos. E como ganho ficam com as mãos maiores. Que, se formos a ver bem, é uma coisa boa: funciona como engodo para aquelas mulheres que estimam o comprimento da sarda baseando-se na dimensão da mão.

 

Ainda estão aqui?, não tem de ser necessariamente aqui, um aqui vago, um aqui-aí, vocês sabem como a parvoíce funciona. Bom, se adentrarem no nevoeiro, encontrarão as minhas respostas a todas as grandes questões da Humanidade, como podem ver, nada de muito significativo, nada que possa encetar uma primeira página do Correio da Manhã. Prosseguindo, tenho muitas opiniões, a bem dizer, um pouco sobre tudo, tal qual um canal generalista. Feitas as contas, as opiniões anulam-se umas às outras e pouco se aproveita. Género rescaldo de uma pista de dança aquando o encerramento de uma discoteca. O refugo do refugo. O que ninguém quer. Escusado será dizer que me sinto assim todos os dias.
Deus desligou a omnipresença só porque já não conseguia lidar com o meu semblante taciturno. Foi isso ou o facto de estar muitas horas de pé, já estava a ficar com varizes na barba.

 

A vida é exageradamente difícil. Aqui devia entrar a piada, mas julgo que não faz muito sentido contrariar os ensinamentos dos dias, esses tipos que surgem, em pilha, uns atrás dos outros, sem nos oferecerem nada de especial. Ao menos podiam trazer mirra, sempre mostravam algum interesse por nós. Tenho uma fotografia dos dias encimada por uma moça de seios fartos e firmes, o chamado calendário, e o que é que eu recebo em troca? Ensinamentos?

 

O mundo está à beira do precipício e, segundo sei, o mundo não é um animal com asas. Basta abrir um canhenho de astronomia para verificar o quão vero é a sentença anterior. Nem precisa de ser italiano. Nada me chateia mais do que entrar num bar e perceber postumamente que o estabelecimento é uma sapataria e compreender que bater os meus sapatinhos vermelhos não me leva de volta para a referência com a qual decidi engendrar esta piada.

 

O comediante, ou seja eu, volta e meia parece um amontoado de cacos, cactos corrigirá o disléxico. À semelhança do sujeito comum, finalizarão os outros. A diferença é que uns juntam os cacos com o intuito de gerar uma piada enquanto os outros juntam os cacos para arrumar a vida.

 

Dizer que a morte é certa é uma expressão apressada. Tenho para ali duas arcas a ganhar gelo a fim de, daqui a uns tempos, abrir o meu laboratório de criogenia. Não me dava jeito nenhum morrer. Pelo menos enquanto não descobrir a fórmula para a juventude eterna. Se bem que ser perenemente jovem, sem grandes expectativas de ir em direcção a um estado mais lúcido, dar-me-ia vontade de cometer suicídio.
De vocês espero aquela reacção de enfado, do género: ”Lá está um tipo a propagandear que vamos morrer”, que enfado, ao menos metias isso num meme ou assim, uma imagem de um bichano de maneira a ficar um pensamento encorpado.
Não quero que se macem, mas prefiro o tédio espesso a ter uma conversa com alguém que está constantemente a empecilhar o silêncio.

 

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