Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.

Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.


Roberto Gamito

17.09.25

O falecido só vai à frente, no carro funerário, para ninguém confundir o cortejo fúnebre com uma manifestação de ninjas.

A electricidade também é uma droga. Deixa muita gente agarrada.

Consentir que o outro fale até ao fim.
— Eu sou um homem da ciência...
— Que engraçado, eu também.
— Oculta.
— Ora, foda-se.
 
No circo havia um número com um casal de fumadores. Um fazia anéis de fumo; o outro, tigres.
 
No zingamocho da bazófia.

A egípcia gostou de mim. Não me espanta, no Egipto os gatos sempre foram venerados.

Trabalhava noite e dia para conseguir aquilo que sempre sonhara. As maiores olheiras do mundo.

Estava tão incerto da sua capacidade de ser humilde que, além das lições de humildade que recebia da vida, tinha explicações de humildade.

O deus Marte morreu. Guerra à sua alma.

O Super Mário é canalizador, mas onde ele ganha mesmo dinheiro é no Parkour

-17.jpg


Roberto Gamito

23.08.21

A felicidade não põe comida na mesa. A diversão não põe comida na mesa. Os passatempos não põem comida na mesa. Em breve nem o trabalho porá comida na mesa, disse a empregada de mesa.  

Escrever quando se está apaixonado devia ser considerado batota. Basta olhar para a amada e o resto escreve-se sozinho. Espero que criminalizem esses pulhas enamorados o quanto antes.

Guerras por todo o lado, miséria ao pontapé, pessoas no chão, deuses escaqueirados por marretinhas; o grito como língua oficial do século. O bêbedo pensa para si: "já tive ressacas piores". 

Vamos acabar, disse a mulher. Calma, é tudo muito pouco razoável, tudo muito definitivo. Não estás aberta a negociações?, ripostou o homem. Vamos dar uso à tua veia diplomática, querida. Não, soletrou impecavelmente a mulher.

As Primaveras são mais curtas onde pululam namorados. Fujam desses pardieiros se não quiserem morrer novos.

O velho, gasto como um instrumento musical abandonado, repete sempre a mesma deixa. Toques no tema que tocares, sai sempre a mesma nota. Uma nota das gordas para pagar os serviços à puta.

Sexo a rodos, banquetes opulentos e serviços públicos sem falhas, comentou o homem ao anjo caído. Por que motivo regressaste, questionou o anjo. Aquilo não era para mim, sou muito conservador, e além disso adoro reclamar quando estou nas filas.

Enfiei com ganas aquilo que tinha a fim de inventar mais uns centímetros ao pau. Pela cara dela, acho que não surtiu efeito.

Pensamento? Se calhar, o melhor era matarmo-nos a todos e tirar isso da cabeça.

Mulher avassaladora na cama. O escritor não voltou a escrever desde que a começou a comer. Segundo se conta, ela suga-lhe a vida pela verga. Abençoada fodilhona, o mundo está pejado de obras medíocres. 

A mulher era demoníaca na cama. Quando se vinha, o homem fazia o sinal da cruz.

Progresso? O mais certo é tirarem-nos os brinquedos e mandarem-nos para casa de barriga infeliz.  

Armindo foi preso por praticar preços criminosos numa mercearia biológica. Havia quem, pressionado a levar uma vida saudável, comprasse repolhos a prestações. 

O humorista fez uma piada e a suas palavras tiveram efeito no mundo real. Então não é um mágico, é um feiticeiro. Seja como for, fogueira com ele.

Não tomo a vacina porque ouvi dizer que houve uma pessoa que bateu as botas ao tomá-la. Meu amigo, se alguém morrer enquanto dá uma berlaitada, será que também vai deixar de fornicar? 

A crónica não põe comida na mesa

 


Roberto Gamito

21.06.21

Todos os desfechos das hecatombes são covers do silêncio primevo. Penso em rituais de engrandecimento do ego e rituais de esmagamento do ego.

Como é que se chega à perfeição sem fazer batota? Qual dos atalhos devo adoptar para o meu caminho? Um homem com pernas suplentes como os mongóis tinham cavalos. Parar é morrer.

A pandemia enquanto parteira de novos microcosmos. Milhares de homens armados em planetas em miniatura orbitam com afã à volta de casa. Os astros despenham-se sem pedir licença. Os profetas vêem-se esmagados no seio de uma destruição ininterrupta, tornaram-se obsoletos. A profecia ruinosa é lenta de mais para um século como o nosso.

O lado fascinante da palavra: exibe e oculta. Por vezes em simultâneo. A palavra nua para uns, enfarpelada até aos olhos, para outros. Sedução caleidoscópica?
Uma síntese: motivos para prosseguir:
(preencher quando houver certezas.)

Sair da folha para fugir de quem está na escrita. Criador ultrapassado pela criação uma e outra vez.

A dor entra com força a meio do poema, destroçando pássaros e orquídeas. Com as sobras nas mãos, perfumes e penas, exigem-nos um novo mundo.

Há um espaço invisível em redor das obras de arte que impede o homem de ser engolido por elas. Mas o temor ninguém nos tira.

De dia contrói uma ponte, à noite, um muro. Eis o Homem.

Os poemas escritos durante o arco da humanidade não chegam para homenagear as aves extintas. Ainda há muito para voar.

O morto é aquele que já não pode ser contagiado pela arte. A queda tem-me na mão. Uma expressão síntese para a vida: reunião de trabalhos.

Imaginar a possibilidade de empacotar o universo num verso. E amarrotá-lo.

Os números com o tempo metamorfosear-se-ão em linhas e as linhas em paisagem e tudo isso será engolido com a subida das águas.

Olhos vendados, mão vendada, pés vendados. O artista que não sabe para onde vai.

Após uma década de gatafunhos, a mão começa a desafiar a queda.

Não podemos interferir no precipício do Homem, só podemos assistir ao seu desenrolar.

Frase com um funil na cabeça, para não se morder a si própria.
Porém a ferida persiste.

Um louco pergunta ao outro compincha de hospício: Se perdesses a cabeça, ias procurá-la?

A única coisa que nos faz continuar é a sede. Perdidos ou não, não interessa: não temos outro lugar para onde ir.
Só com a cabeça de fora das areias movediças, o poeta burila a epopeia. É um teste que o deserto põe ao homem de molde a ver até onde está disposto a ir aquando da sua perdição.

Tu ontem não confiaste na minha escrita, na minha respiração. O que mudou entretanto?

Amanhã por sorte não é já.

Funil na cabeça da frase, Roberto Gamito

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D

subscrever feeds

Sigam-me

Partilhem o blog