Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.

Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.


Roberto Gamito

02.11.22

Seja por falta de discernimento, seja por má vontade ou, quiçá, somente falta de treino, o discurso reinante das redes sociais, outrora múltiplo e hoje saído das mesmas goelas, encrespou-se, armadilhou-se, tornando o diálogo insustentável. Diariamente, travam-se debates humoristicamente interessantes como quem sai de casa de manhã para comprar pão: cada facção na sua trincheira, cada qual aproveitando uma hesitação ou um passo em falso do opositor para lançar mais uma granada branca, símbolo da paz contemporânea. A violência assoma-se entre as sílabas: a indignação, o pão nosso de cada dia. Depois do século passado, em que o homem, ao pressentir as grandes guerras e ao passar por elas de gatas, levou o cérebro às cordas, não se vê uma figura de envergadura intelectual capaz de pulverizar as várias matilhas, a saber: lamentação, indignação, estupidificação. Isso e outras coisas fazem-nos suspeitar que a província dos génios ficou para trás, irremediavelmente para trás e teremos, doravante, de pugnar pateticamente com a prata da casa. Falta-nos um homem — já nem peço mais — daquele calibre impossível de domar, bata ele de frente com um homem, uma multidão ou o mundo. Realizando um olhar panorâmico sobre este século que nos coube, damo-nos conta que, com a excepção de meia dúzia, toda a gente está receptiva à patranha. De facto, pondo a verdade e a mentira lado a lado, a última é suspeitosamente mais tragável que a verdade. Com receio de lascar os dentes e o sorriso, o qual é o cartão de visita da hipocrisia, ninguém lhe joga os dentes. Sustento teimosamente que, se encararmos por estes dias um homem desta estirpe, a sua intransigência seja sintoma mais que suficiente para lhe diagnosticarmos a loucura. A isto, o génio deve responder não, fazendo um pacto de sangue com a noite, a morte e o silêncio. Até com o Diabo, se tiver que ser. Na mente do génio: Nem todas as lâminas do mundo me poderão calar ou, sequer, adicionar uma palavra ao meu discurso. Contudo, independentemente da dimensão da luta, o Outro terá de entrar na equação sob pena de a matemática sair coxa da ardósia. Enfrentá-lo a cada linha, não consentir que os embusteiros persistam, alegres e cheios de esperanças, na sua campanha desenfreada pelas terras outrora pertencentes à razão. Como pôr o outro na equação quando este se nega a ouvir o que quer que seja? Como lidar com quem faz orelhas moucas a tudo o que não seja o seu reflexo ou uma imagem supremamente elogiosa sobre os seus gestos e pensamentos? Continuo a não ver como se pode harmonizar tudo isto. O ciclo repete-se; já Cícero se debateu com os meus problemas. Se a palavra cura, pressuposto no qual já não aposto as fichas todas, talvez tenha perdido o efeito de outrora ou, mais triste, já não sabemos utilizar a língua plena. Mesmo aquando do milagre de partilhá-la com os outros nos moldes mais auríferos, do outro lado há um Homem obstinadamente surdo.

O primeiro passo para romper o ciclo é compreender que estamos engaiolados num refrão escravizante. Nesse sentido, perceberíamos o Tempo como um larápio que volta pela enésima vez ao lugar do crime para roubar aquilo que roubou das outras vezes. Nisso, o homem é uma vítima prestável, uma fonte inesgotável de “mais do mesmo” apreciado pelo Tempo. Ao compreendermos que estamos num ciclo, seja ele modesto, seja ele de estirpe mítica como o Mito de Sísifo, cria-se uma hipótese de distanciamento, com sorte frutífera. Este distanciamento pode ser de jaez humorístico ou, pelo contrário, acentuar a tragédia. O primeiro passo está dado. O homem só pode ser encarcerado num ciclo infinito se abdicar do voo da imaginação. Outro passo indispensável a fim de obliterar um ciclo é encontrar a paz interior. Aquele que logra encontrar a paz no meio das tormentas é capaz de tudo, até romper uma maldição divina ou demoníaca. Mas é mais fácil falar do que fazer. É preciso não dar sossego à inércia, treinarmo-nos a bater de frente com o Minotauro, fazer com que o labirinto note a nossa presença, aprender a ver a fome e a sede como um bebedouro e não o partilhar com mais nenhum Deus. Dito de outro modo, não dar sossego aos medíocres, não desperdiçar a pólvora em fantasmas, não dar mais um metro que seja aos cultores de absurdidades. Neste terreno mando eu e se ousarem entrar vão levar chumbo. Por fim, consentir que as variadas paixões nos fecundem e...relampejar sem medo que a patifaria recorra à guilhotina para nos cortar o pio. Não abrandar diante de quem quer imobilizar a língua.

 

large_70_1208_Hopper_Soir_Bleu.jpg


Roberto Gamito

27.04.21

Piparote na língua de pendor magalânico, eco guinando para o lado das causas. Repara: já cá estamos. O nome do amanhã, descobri ontem, é Sebastião Depois.

A minha própria noite já teve melhores dias. Perdeu o juízo. Receio que não tenha resolvido nada de premente na minha vida até hoje. Está bem que faltam umas horas, mas não me parece que o mundo se importe com o meu esforço.

De gatas ante culpa a postiça: eis o retrato do século. Segundo a turba, o deus ignoto apreciará o gesto. Muito aquém de um Homem. Melhor dizendo: é isto um Homem ou uma piada?

Aventurando-se onde a lâmina falha, o poeta avança e guerreia de mãos a abarrotar de letras.
Assim, ó reis míopes, entrego-vos as minhas primeiras impressões:
1) Brindamos sem vitórias para não parecer mal. É embuste atrás de embuste. Porém siga a marinha.
2) O oceano é o único animal conhecido a adorar carne humana, ainda que cuspa grande parte dela. Entrementes, apodrecemos.
3) Transitória mansarda logo logo escaparate. Nova espécie: eremita domingueiro.
4) Cérebro, pequena fornalha onde o milagre do pensamento acontece de longe em longe, se tanto.
5) À medida que a solidão se adensa, engrossa a certeza de que não somos pertencentes a esta história.
6) A menos que estejamos loucos, somos destituídos de nome. Ouvi isto um dia quando ainda não sabia quem era.
7) Homens indomáveis, daqueles que já não há. Criaturas que não cessam a marcha da liberdade nem a pretexto de chumbo.
8) À mingua de ideias, todas as dores são dores de burro. Urge procurar propagandistas para disseminar a mensagem no twitter.
9) Com o ouvido destreinado, papagaio e poeta, ruído e canto equivalem-se. Adenda: a ninguém ocorre parar para apontar as diferenças. O Inferno do mesmo.
10) O coração, lá nas voltas dele, corria em direcção a não sei quê, imitando o gesto da viúva que entra em casa com a certeza de que vai encontrar o marido novamente.
11) Pressenti-lhe na prosa o sossego, na poesia, a fúria. Puxei fogo à proximidade e entreguei-me de corpo e alma ao outro lado da vida nova.
12) A esperança nasce quando fitamos o magnífico semblante de quem esteve ocupado numa bravata existencial e saiu por cima.
13) Com ou sem metamorfose no pêlo, sempre há quem te veja doutra forma.
14) No cabo dessas andanças, acabamos por largar tudo e sonhar com o regresso. Ficam por saudar os lábios que nos curaram quando estávamos mais quebradiços.
15) Mesmo perto, enroscado em corpo alheio, soletrando as mais belas e possantes palavras, ainda assim estrangeiro.
16) Um punhado de sensatez nunca estragou um guisado.
17) A tristeza de querer agarrar o mundo e não ter mais que duas mãos e um desejo. Provavelmente a prova de que o mundo está entregue a catraios. Não há meio de o Homem crescer.
18) Tudo é vão mesmo quando dura. Dica meio útil: não ser merceeiro, não acrescentar peso fictício às coisas.
19) Nos bastidores da cidade, piscina entregue a mosquitos e sapos, o progresso e a sofisticação que não deram em nada. Em boa verdade, exibem o seu avesso. Ao menos a montanha pariu um rato. Não é fácil afastar a ideia da esterilidade do progresso.
20) Sabedoria popular recolhida em dias de copos. O que é bom nunca amargou; porém, após começar é comum o caldo entornar-se.
Uma pequena nesga de perfeição bem regada.
21) Independentemente das tuas coordenadas, a morte não dista muito daqui.

De resto, aprecio o intervalo onde a imaginação me engrandece e me faz transbordar da vida minúscula. E isto é só o começo. Uma vez desmantelado o paraíso, os problemas nascem como cogumelos.

Piparote na Língua, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

14.04.21

Um vulto sulfúreo gabava das alturas a minha desgraça. Desfeito o nexo causa-efeito, retirado do cardápio o sim ou sopas, começou a noticiar-se a morte antes desta ocorrer. Caso esta não ocorra, recorre-se à errata minúscula. A verdade não é amiga dos míopes. Em todo caso, é só uma questão de tempo. A morte nunca foge a um encontro, quando muito adia-o. Pólvora de pormenores, conjectura propiciadora de ruínas. O fandango burocrático que nos paralisa ou enfurece. Um recém-convertido à doutrina da loucura. Papéis de faz de conta incensam a atmosfera complexa. Pompa no cenário fictício, vertigem de procurar a mão e ela fugir; a folha enquanto acta do fracasso. Uma rebelião relegada para nota de rodapé. Arraial onde não acontece nada há séculos. Nenhuma fala digna de ser memorizada. À mingua de corvos, o poeta aprendeu a enviesar o canto da cotovia.

Simulacros de homens andam de gatas em círculos segundo coreografias de servidão. Gestos que julgamos nossos logo convertidos em repasto de titereiro. Dignitários de um deus sem pés nem cabeça. Maquilhados no centro da pocilga, os novos porcos procuram, com o seu bacorejar ortodoxo, vender-nos a ideia de um mundo mais polido. Sandice paulatina encarregue de nos hipnotizar.

Modelos amanhã infames, uns e outros à queima-roupa. Heróis postiços acobardam-se mal o holofote dá um estalido. A luz vai e vem como se dançasse. Uma cantilena de virtude que nos empobrece o miolo, o caminho, a obra. A arcaica patranha, uma balbúrdia de convertidos.

Mandei-me ao discurso sem nada que me protegesse o peito. Não negoceio a minha respiração, as minhas pausas, os verbos felinos que colonizam o mundo real pelo trilho da língua ebuliente.

Ajeitámos a farda de Homo sapiens, não queremos ficar mal na fotografia do nosso tempo; de seguida entregámo-nos a uma epopeia toda onomatopeias.

Cultor da verticalidade, não me vergo seja qual for a natureza do diálogo. Dou conta da batota e da guilhotina. Não me preocupo, sei para o que vim. A língua morre de pé.

A Língua morre de pé, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

03.02.21

A turba faminta admoesta-o, centrando a censura na hipocrisia. Todavia, esta necessidade de apontar o dedo, ao invés de quebrar o ciclo, reforça-o. Qual personagem de Plauto, somos criaturas bacorejando "este homem está perdido!" enquanto ocultamos a nossa miséria interior.

Estamos mortos! Finalmente uma boa notícia. Escandalizados com o inferno, puxamos fogo a tudo o que mexe, santo ou demónio, eis a era dos critérios fluídos, termo caro a Zygmunt Bauman. Condenamos sem hesitar e passamos sem demoras nem ensaios ao engano perpetrado pelo sevandija.

Uma ideia nova?! Caramba! Fiz uma aquisição pouco desejável para a minha idade, dir-me-ão. Com efeito, já sou suficientemente crescido para ouvir conselhos de sacerdotisas ou astros. Estima-se que a maior parte se perdeu. Livro (um livro simples, não o de Mallarmé) ou vida.

A constatação dolorosa de que as partes líricas não auferem um entusiasmo semelhante à reputação dos papagaios vigentes. Pus as musas e os daimons para trás das costas. Por Hércules, não tenho medo, nem suplico inspiração a ninguém, enquanto tiver mão e fome não me vergarei diante de ninguém. Exegeta: Possivelmente, animal vertical.

Sósias e mancos, parvos e parlapatões, uns e outros obstaculizam o homem que aprende a voar onde a noite é mais cerrada, que gemem a cada fanfarronada, que obliteram onde os outros são funâmbulos.

A língua, a sua divisão em episódios e estásimos, em odes e elegias. Mas o que é a arte senão o ritual de transformar o Homem no seu próprio arúspice, esse inacabado exercício de ler as entranhas.

Estamos mortos, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

05.01.21

Quando estou em apuros, questiono-me: o que ainda não foi dito?
Na cultura, seja ela alta, baixa ou de estatura média, não existem rupturas totais com o passado, nem sequer uma continuidade absoluta. É uma interpretação de autor daquilo que nos persegue, quase sempre o passado. Além disso, não devemos descurar o futuro que há-de desabrochar no próximo passo. O artista precisa sempre de sombra — a sua matéria-prima de eleição — contra a qual objectar. A cada nova vaga de artistas, os pedestais são reavaliados. Há algumas correntes, os aduladores e os dinamiteiros, os que vivem de costas para o passado que os amedronta e a lista continuaria por vários dias se o nosso fito fosse a minúcia. Há quem esvazie os pedestais e substitua os gigantes de outros tempos por pardais. Dessa forma, terão mais hipóteses de os desafiar num futuro próximo. Adulam migalhas de forma a obter um combate que possam vencer no futuro.

Rebelar-se contra um gigante, nem que seja durante um curto parênteses de empáfia, implica uma viagem rumo ridículo, o qual será proporcionado pela derrota. Possivelmente, sucumbiremos aos entraves de subir ao cume. É preferível amputar com insultos o gigante, decepá-lo com historietas de origem duvidosa, reduzi-lo a pó do que pugnar contra ele numa luta justa. Aos olhos dos contemporâneos, essa estirpe de coragem acaba por ser um estorvo. Tornar-se-á um falhanço demasiado ruidoso. Tácita Muda, a deusa feminina do silêncio, era uma ninfa tagarela, principalmente de forma inconveniente, a quem Júpiter retirou a língua. A arte é dar voz a quem não tem voz. É desafiar Júpiter mesmo que ele nos roube a língua. É contar os segredos dos deuses e esperar.

 

Tácita Muda, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

16.01.19

Pessoa_chapeu.jpg

 

Acaricio com vagar as palavras com malabarismos aprendidos de véspera, desassossego a carne com pinotes de anca, da boca à cona um trajecto, tradicionalmente lúdico, evitando o catecismo do sentimentalismo barroco, que é como quem diz um gosto de ti insuflado por justificações capazes de diluir qualquer estirpe de tesão, calma, ainda tépido mas não vulcânico, a pichota pneumática escavacando prazerosamente o pesadelo, para gáudio de uma cona faminta, a qual, a espumar-se de alegria, aguardava num dialecto de gemidos o caralho qual povo sul-americano a aguardar o seu deus arcaico, bem sei, dar-te-ei até garatujares com esporra um soneto no sítio mais recôndito do cérebro e um tegumento lácteo te envolver o corpo, os despojos de dois corpos à procura do seu idioma, como manda a doutrina da língua brava, e teço versos — vá, suplico-vos, não sorvam isto de forma literal — do mais contemporâneo modernismo. Um moderno mesmo moderno. Muito haveria a discorrer sobre o que é moderno e as nossas — inumeráveis —falhas em compreendê-lo. Fernando Pessoa fê-lo exemplarmente num dos seus ensaios. Conto com a vossa boa-vontade crítica para fugir a interpretações precipitadas. Será que estamos a ficar cada vez mais burros? É uma pergunta para a qual não consigo encontrar resposta; uma vez que, infelizmente, estou a ficar cada vez mais burro.
 
Cuido de evitar um uso mais fulminante da língua no dia-a-dia, é pouco provável existirem ocasiões para comunicar ao outro: vinha-me, de uma ponta à outra do teu corpo, até ficares enfarpelada com uma samarra de esporra; daí que me tenha refreado um tudo-nada no parágrafo anterior. Contudo, a poesia é território de homens ímpares, de outras mãos, linhagens de homens indomáveis; província na qual a língua é levada às cordas. Se há pessoas que enchem o cu com idealismo importado, macacada ruminada e polida pronta a ser vendida a qualquer papalvo, um idealismo mistificado pelos holofotes do espectáculo e, vamos lá, o acto contínuo de vomitar informação que raras vezes o é, uma vez que os jornalistas se demitiram do seu trabalho e o algoz, incompetente, esqueceu-se de os avisar da sua morte. Bem sei, os tempos são outros, os quádruplos sentidos de um Sterne, e as piruetas poéticas de Walt Witman parecem envergonhar-nos, dada a nossa estatura actual. O afunilamento interpretativo iria trazer, mais dia menos dia, problemas deste quilate. Finda esta achega preambular, é tempo de principiar a crónica propriamente dita.
 
Segundo aquilo que me foi transmitido por um pássaro atento às gordas que encimam as notícias, foram retirados três versos da Ode Triunfal, poema de Álvaro de Campos, o Walt Whitman português, heterónimo de Fernando Pessoa. Se assim é, proponho, já que estamos numa de arrumações da língua, uma mudança no título. Para: Ode triunfal, caso mo permitam, já que não pretendo aporrinhar ninguém. Assim já se digere. Os três versos foram substituídos por linhas a tracejado por conterem — ai meu Deus, que a minha avó nunca veja este texto — linguagem obscena. E que tal adoptar esse procedimento para tudo o que é obsceno? A Internet transformar-se-ia num mundo encantado do tracejado. E que mundo maravilhoso seria.
 
Outros ousaram dizer, há com cada herói, que era uma linguagem explícita. Eu tomei a liberdade de viajar até ao dicionário para conversar com o vocábulo “explícito”. Até à data, significa manifesto, expresso. Motivo suficiente para passar uma tarde à batatada com jornalistas e censores. Se há coisa que a poesia não é — salvo raras excepções, como por exemplo Bukowski — é manifesta. Por regra, cada verso é dotado de uma profundidade que alberga uma fauna cuja diversidade nunca é inteiramente estudada. Em parlapié de bêbedo, em cada verso há uma carrada de bichos. Bichos esses inebriados pelo jogo de luz e de sombras. Catalogar isto como manifesto é vir com o bibe de casa para o trabalho e tentar parecer sério.
 
Ó automóveis apinhados de pândegos e de putas
Não tencionando acicatar a maralha censória, mas cumprindo o meu dever de cronista de pendor humorístico, o que está à nossa frente é uma imagem retirada do carnaval brasileiro, sendo que as putas, sendo brasileiras ou outras, há-as em todos os cantos do mundo, louvado seja Deus; não, não quero denegrir as putas brasileiras, mas também não tenciono desanimar as putas lusas que labutam tão bem ou melhor que as suas irmãs, mas que, por regra, são votadas ao esquecimento. Em suma, um automóvel a abarrotar de gente foliona que, vai-não-vai, há-de descambar numa orgia. E qual é o mal? É melhor isso que encontrarmo-nos todos num funeral.
 
E cujas filhas aos oito anos —e eu acho isto belo e amo-o!—
Masturbam homens de aspecto decente nos vãos de escada.

Vamos lá abordar estes dois marotos, antes de vos mandar ao veterinário para tratar dessa raiva. Num cenário real, um episódio concreto, isso mereceria a nossa maior vaga de indignação, nada mais humano, tal o episódio em questão. Porém, estamos em terrenos poéticos, onde, mesmo que chovam dedos em riste, a espumar de não-pode-ser-assim, a palavra não pode ser suprimida. A palavra não se verga diante de ninguém. A língua não é vassala de ninguém. A poesia é o último reduto para a língua se descobrir. Chega, apesar de taralhouco, sei que não posso dar mais trela a este assunto. Estamos a ficar todos tantãs e eu acho isto belo e amo-o!
_______
Sigam o menino nas redes sociais:
Túnel de Vento (podcast): https://soundcloud.com/tuneldevento

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D

subscrever feeds

Sigam-me

Partilhem o blog