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Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.

Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.


Roberto Gamito

27.12.21

A publicação desta croniqueta alarmará os aspirantes a virtuoso, que os há em qualquer buraco, salvo conas, que aí mora o pecado, mas é esse mesmo o meu intento. A sociedade de cavalheiros de piça engessada tem dado à luz pelo orifício não convencional uma prosa a direito (redundância, se formos vasculhar ao latim o significado de prosa; foda-se, escrevem como se fossem viver para sempre) de tal forma enfadonha que o comércio de calmantes está nas ruas da amargura. Há dias caiu-me no colo um relato segundo o qual um distraído, um daqueles ingénuos que acredita que a ida ao bar com os amigos é sinónimo de troca de piadas e comércio de alarvidades, sentou-se e de supetão, ao embrenhar-se na conversa com os convivas, murchou-se-lhe o sorriso. As histórias acaloradas de sexo, amiúde inventadas (ninguém fode assim tanto, até o caralho mais trabalhador tem dias de folga), deram lugar a discursos propagandísticos, quer dizer, troca de bolas, as típicas de activistas de sofá. Se acreditarmos em tal coisa, essa coisa torna-se verdade, não era essa uma ideia-chave no Elogio da Loucura? O que faço eu com este manancial de piadas a formigar no meu miolo, cogitava o ingénuo que aos poucos, para se irmanar no grupúsculo de virtuosos, se despojava de tais pensamentos pecaminosos.

Longe vão os tempos em que Swift sugeriu que, em tempos de escassez, se comessem crianças. Bem apanhado: pequenitas, carne tenra e fáceis de caçar. A piada é hoje um lince ibérico. Um bicho em vias de extinção que ignora como se acasala. Não preciso, porém, de me dar ao trabalho de descrever o cenário trágico em que o Humor se encontra. É na forca, a escassos minutos do fim, que me coube a honra de ser escolhido pelas musas mais coxas, ao que pude apurar, dado que é o momento capital onde a cabeça é habitada de pontas soltas, legaram-me o difícil papel de contar o que é a vida.
E a comédia, por arrasto. Quem não consegue ironizar a sua própria imagem, desconhece-se por completo. Perde espessura e torna-se tão magro quanto uma folha branca.

O fã contemporâneo de comédia recorda-me o rico apinhado de manias que vai ao campo pela primeira vez e diz: “Venho ao campo e é só arvoredo; não há nada para ver.” No tocante ao diletante do humor, a frase é mais fina: “Venho ao sítio onde se pratica comédia e é só comédia; não há nada para ver.” Pelas suas tendências, podemos muito bem chamá-la Sociedade para o Incitamento ao Chapadão nas Fuças. Não condeno o humorista que, após ouvir tamanha baboseira, desça do palco e comece a distribuir papo-secos de qualidade, qual padeiro parisiense, ao seu público. Querem humanidade?, vocifera o comediante, tomem-na toda, agora engulam este caldo de porrada — e só vos faz é bem.

A literalidade é rei e senhor desta ligação entre artista-público. Mas não vejo rei nenhum, questiona o público. No máximo, rainha, opina outro gatuno de lugares no pódio. Seja como for, este mundo veio parar-me às mãos por acaso, logo eu que vivia no passado, apesar de todo o cuidado posto em esconder-me do presente e nunca ter agarrado nenhum papel activo no teatro da sociedade. Contentar-me-ia com o magro papel de figurante. E todavia.

Torna-se evidente que o público exigente (como se auto-intitula, ah, as ofuscantes proezas de um umbigo inchado — o médico que veja isso) e sem dentes exigirá da comédia um estilo que não lhe pertence. A comédia pode continuar a laborar desde que deixe de ser comédia. É como que declarar: “Gosto de tudo em ti, mas mudemos cada pedacinho de ti, assim não pode continuar”. O Narciso contemporâneo é um Deus tardio. Não descansa enquanto não fizer o outro à sua imagem.

O mundo evolui e a comédia deve evoluir também, como se ouve por aí em qualquer beco deste século. Evoluir para onde? Para tapar os buracos da vossa fragilidade narcísica — a qual é recebida pela mente como um narcótico? Vamos lá ver uma coisa, meus campeões: a arte não está ao serviço de ninguém. A arte não veio ao mundo do Homem para ser aia do vosso ego, não está cá para fazer festinhas — o seu verdadeiro papel é conduzir-vos, em virtude de um soco imprevisto, ao tapete.

E a arte? A arte também tem culpas no cartório. Nunca pensei que meia dúzia de néscios palavrosos, três para dizer bacoradas, três para funcionar como coro, pudessem pôr de joelhos algo tão esquivo e tão tentacular como a arte.

Mas quem é esta gente, a qual ouve as sereias pelo megafone do seu umbigo a comunicar magotes de patacoadas? A comédia não pode continuar a ser o que sempre foi? Ignoro como responder a esta questão senão com: a arte nunca é aquilo que pensamos dela, está sempre um passo atrás ou à frente. Abaixo os inteligentes! Abaixo a metáfora! Abaixo aquilo que não for um reflexo enaltecedor de nós próprios! Dinamitem os cumes, preencham os vales, não queremos sentir o desconforto da vertigem, gritam uns e outros a cavalo do pónei amputado da empatia.

Platão, como muito bem se sabe, é o maior mentecapto de todos os tempos, nem todos podemos ser brilhantes na vida, contradiz — atentem no descaramento deste bandalho — os activistas mutantes no respeitante à palavra. Então quer dizer que o problema permanece indecidido. Quer dizer que a verdade nos é inacessível, como nos afiança Goethe? Mais luz, mais luz, mais empatia, diz o Werther contemporâneo antes de estoirar os miolos. Era só o que faltava a verdade ser-nos inacessível! É possível que, uma vez por outra, já tenha mandado esta nova casta de bípedes para a casa do senhor do baixo ventre. Se isto não é ser virtuoso, e Aristóteles não me deixa mentir, gostava então de saber o que é.

Por isso lhe disse logo: Carlota (Diogo ou Rodrigo, tanto faz), estás enganado a meu respeito. Eu sou um vulto, já morri faz trinta e sete anos. Simpatizo com a tua tristeza, mas estás impossibilitado de me assassinar. É muito melhor contentares-te com uma solução mais humilde, porém com resultados mais imediatos, do que andares para aí armado em parvo — atitude que te celebrizou —, a saber: estar caladinho até te surgir uma ideia, ó traficante de citações.

A ideia prevalecente era a de que se enforcara há muito, mas nem por isso deixara de contar a sua história. Ah, caramba, fomos apanhados na esparrela da ficção, numa espécie de desdobramento literário. Quer dizer que todos estes personagens são apenas várias faces de um tipo?, questiona-se Deus ao olhar-se ao espelho enquanto pensa na humanidade.

Avancemos uns belos anos. Começou, como a História do século XXII nos há-de elucidar, com o encontro fatídico de um homem puro com uma piada no twitter. Riu-se e cometeu a imprudência de seguir o humorista para, veja-se a loucura, pôr os olhos em mais piadas. O homem puro como um anjo foi adquirindo maldade em virtude das piadas — facto confirmado por aquilo que, daqui a uns anos, se chamará “Ciência”. Achou graça a uma piada na qual a velha era espancada; começou a espancar velhos depois das cinco, que era quando saía do trabalho; riu-se de uma piada de pedofilia, tornou-se pedófilo, ele que nunca se havia aproximado de uma criança para encetar uma conversa; gargalhou com uma piada de violação, tornou-se, como esperado, violador. Semanas mais tarde escutou uma piada sobre ditadores, tornou-se ditador (esses eram os anos de ouro da ditadura, qualquer um podia mandar vir um starter pack ditador da Amazon). Por azar, num dia que até lhe estava a correr bem, escutou uma piada de suicídio e não teve outra escolha senão matar-se. Doravante a comédia como hoje a conhecemos foi proibida. Surgem rumores da existência de um punhado de locais nos subterrâneos — nos esgotos, melhor dizendo — onde se reúnem os últimos apreciadores de comédia e um cacho de humoristas que logrou escapar à purga. Na superfície, persistem os Clubes de Comédia nos quais são permitidas — apenas — piadas sobre marcas de bonés.

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Roberto Gamito

05.07.21

Citando Camus, a última coisa que um artista deve sentir perante a sua arte é arrependimento.  

Presentemente, tendo ou não culpa, o artista, principalmente o mediático, sente-se na necessidade de ser perdoado ao mínimo sinal de que o céu vai desabar, profetiza em cada gota uma tempestade, em cada brisa um vendaval. Antes de cometer o crime, confesso já que sou culpado. A confissão e o perdão são duas coisas muito sérias, alcançadas amiúde a ferros, após a via sinuosa das agruras, no decorrer da qual nos confrontamos com toda a espécie de venenos e demónios. A voz da confissão, soterrada debaixo de inúmeras máscaras, é alcançável só a alguém de joelhos, alguém vergado e sem ego, só aí o Homem está em condições de se confessar. Daí que desconfie de todos os artistas que se confessam à queima-roupa, num estalar de dedos. Como o mundo obedece cada vez mais às leis do espectáculo, a confissão e o perdão seguem uma lógica performática. Aqui reside uma rugosidade que, se entendida com calma, desmonta a fanfarra vigente. A confissão e o perdão são de cariz solitário, reservado. Seja no confessionário com o padre, seja na marquesa com o psicanalista, quem disponibiliza a alma para ser dissecada precisa de criar uma espécie de ligação de confiança com quem o ouve. Tal leva tempo e, acrescente-se, é impossível de estabelecer quando, do outro lado, há um monstro de mil e um olhos pronto a julgar-nos e a apedrejar-nos ao mínimo mas. Logo, o ciclo culpa, confissão, perdão é um embuste. No fundo, quando alguém é apedrejado nas redes sociais não é senão a manifestação actualizada da nossa barbárie. O Homem adora e continuará a adorar ver o outro sofrer e inventará, a cada par de anos, uma nova de forma de o executar. O lado perverso disto tudo é que à superfície são anjos que pregam a empatia quando, no fundo, onde a verdade se acoita rugiente, são demónios ávidos de assistir ao desabamento do outro. 

Se o artista foi conduzido pela fome, não precisa de se arrepender. Fez o que fez porque não havia outra forma de o fazer. Essa fome guiá-lo-á no labirinto das suas obras e cabe aos outros, os vindouros, observar, mais ou menos atentos, porém, aconteça o que acontecer, nunca poderão fazer as vezes da estrela guia. Só o artista sabe o norte que procura. 

Esta loucura ascética de ir extirpando vocábulos do discurso por, alegadamente, possuírem cariz ofensivo, quando, paralelamente, o mundo está progressivamente mais sensível, conduzir-nos-á a um estádio pueril, onde os Homens só poderão comunicar através de onomatopeias. 

Deus está morto e de todo o lado surgem substitutos com o fito de ocupar o seu lugar. Não se iludam com a inofensiva polícia da linguagem, estamos diante daquilo que faz uma religião ser uma religião.   

Em torno dos seus dedos espetados com fervor inquisitório gravitam as noções de inocência e culpabilidade. A evangelização forçada ou a morte. Ao contrário de outras mais pacientes, a evangelização actual é inimiga da burocracia, num instante se decide a conversão ou a morte por ora virtual. Como que paira um perfume no ar, a noção arcaica de que todo o Homem é um criminoso que não se reconhece como tal, contrariando, sem medo de parecem patetas, um dos pilares da justiça. Círculos de legitimação que se auto-alimentam com festivais de elogios, rituais de purificação caducos que os legitimam a apedrejar os incautos, narcisos embriagados pela saraivada de palmadinhas nas costas. Em suma, proclamam culpado tudo aquilo que não aprovam. Só há duas facções: ou és favorável ou és hostil ao regime. Ou és bom ou és mau. Não há gradações. Escolhido o lado, não poderás voltar atrás. No século XXI a redenção foi abolida. As pessoas jamais poderão mudar.    

O artista está em vias de extinção. A morte da arte foi profetizada em todos os séculos, muitos equívocos, algumas ressurreições, mas parece-me que é desta. Como pode sobreviver neste universo de censura mascarada de liberdade um animal que refaz o mundo segundo o seu ponto de vista? Deveras complicado. Ou suicida-se ou transforma-se numa espécie de maldito, um animal clandestino a combater contra o mundo. Um combate votado ao fracasso, um pouco como a vida.

E aqui surge a figura do inocente. Se todos são culpados quem são os inocentes? Os inocentes são fabricados nos círculos de legitimação, nessa nova ordem eclesiástica onde, impacientes de nostalgia e impotentes perante o mundo, decidem sem o enguiço da razão lançar tudo à fogueira, bruxas, aspirantes a bruxas, livros, diálogo, enfim, retratos onde não saiam favorecidos.   

Os inocentes são figuras adoradas não pela sua pretensa inocência, mas porque são personagens planas. O inocente é o Homem definido pelo seu gesto. Sem mais delongas e interpretações labirínticas. O medo do outro fez com que esta nova religião forjasse o inocente. O inocente ocupou o lugar reservado a Deus. O medo do outro é combatido ficcionando um novo Eu. 

Citando uma vez mais Camus, o diálogo, relação entre duas pessoas, foi substituído pela propaganda ou pela polémica, que são duas formas de monólogo. Parece que o tempo não passou por nós, continuamos os mesmo bárbaros de sempre. Tanto fica ainda por dizer…

 

o artista e a religião do politicamente correcto, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

16.01.19

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Acaricio com vagar as palavras com malabarismos aprendidos de véspera, desassossego a carne com pinotes de anca, da boca à cona um trajecto, tradicionalmente lúdico, evitando o catecismo do sentimentalismo barroco, que é como quem diz um gosto de ti insuflado por justificações capazes de diluir qualquer estirpe de tesão, calma, ainda tépido mas não vulcânico, a pichota pneumática escavacando prazerosamente o pesadelo, para gáudio de uma cona faminta, a qual, a espumar-se de alegria, aguardava num dialecto de gemidos o caralho qual povo sul-americano a aguardar o seu deus arcaico, bem sei, dar-te-ei até garatujares com esporra um soneto no sítio mais recôndito do cérebro e um tegumento lácteo te envolver o corpo, os despojos de dois corpos à procura do seu idioma, como manda a doutrina da língua brava, e teço versos — vá, suplico-vos, não sorvam isto de forma literal — do mais contemporâneo modernismo. Um moderno mesmo moderno. Muito haveria a discorrer sobre o que é moderno e as nossas — inumeráveis —falhas em compreendê-lo. Fernando Pessoa fê-lo exemplarmente num dos seus ensaios. Conto com a vossa boa-vontade crítica para fugir a interpretações precipitadas. Será que estamos a ficar cada vez mais burros? É uma pergunta para a qual não consigo encontrar resposta; uma vez que, infelizmente, estou a ficar cada vez mais burro.
 
Cuido de evitar um uso mais fulminante da língua no dia-a-dia, é pouco provável existirem ocasiões para comunicar ao outro: vinha-me, de uma ponta à outra do teu corpo, até ficares enfarpelada com uma samarra de esporra; daí que me tenha refreado um tudo-nada no parágrafo anterior. Contudo, a poesia é território de homens ímpares, de outras mãos, linhagens de homens indomáveis; província na qual a língua é levada às cordas. Se há pessoas que enchem o cu com idealismo importado, macacada ruminada e polida pronta a ser vendida a qualquer papalvo, um idealismo mistificado pelos holofotes do espectáculo e, vamos lá, o acto contínuo de vomitar informação que raras vezes o é, uma vez que os jornalistas se demitiram do seu trabalho e o algoz, incompetente, esqueceu-se de os avisar da sua morte. Bem sei, os tempos são outros, os quádruplos sentidos de um Sterne, e as piruetas poéticas de Walt Witman parecem envergonhar-nos, dada a nossa estatura actual. O afunilamento interpretativo iria trazer, mais dia menos dia, problemas deste quilate. Finda esta achega preambular, é tempo de principiar a crónica propriamente dita.
 
Segundo aquilo que me foi transmitido por um pássaro atento às gordas que encimam as notícias, foram retirados três versos da Ode Triunfal, poema de Álvaro de Campos, o Walt Whitman português, heterónimo de Fernando Pessoa. Se assim é, proponho, já que estamos numa de arrumações da língua, uma mudança no título. Para: Ode triunfal, caso mo permitam, já que não pretendo aporrinhar ninguém. Assim já se digere. Os três versos foram substituídos por linhas a tracejado por conterem — ai meu Deus, que a minha avó nunca veja este texto — linguagem obscena. E que tal adoptar esse procedimento para tudo o que é obsceno? A Internet transformar-se-ia num mundo encantado do tracejado. E que mundo maravilhoso seria.
 
Outros ousaram dizer, há com cada herói, que era uma linguagem explícita. Eu tomei a liberdade de viajar até ao dicionário para conversar com o vocábulo “explícito”. Até à data, significa manifesto, expresso. Motivo suficiente para passar uma tarde à batatada com jornalistas e censores. Se há coisa que a poesia não é — salvo raras excepções, como por exemplo Bukowski — é manifesta. Por regra, cada verso é dotado de uma profundidade que alberga uma fauna cuja diversidade nunca é inteiramente estudada. Em parlapié de bêbedo, em cada verso há uma carrada de bichos. Bichos esses inebriados pelo jogo de luz e de sombras. Catalogar isto como manifesto é vir com o bibe de casa para o trabalho e tentar parecer sério.
 
Ó automóveis apinhados de pândegos e de putas
Não tencionando acicatar a maralha censória, mas cumprindo o meu dever de cronista de pendor humorístico, o que está à nossa frente é uma imagem retirada do carnaval brasileiro, sendo que as putas, sendo brasileiras ou outras, há-as em todos os cantos do mundo, louvado seja Deus; não, não quero denegrir as putas brasileiras, mas também não tenciono desanimar as putas lusas que labutam tão bem ou melhor que as suas irmãs, mas que, por regra, são votadas ao esquecimento. Em suma, um automóvel a abarrotar de gente foliona que, vai-não-vai, há-de descambar numa orgia. E qual é o mal? É melhor isso que encontrarmo-nos todos num funeral.
 
E cujas filhas aos oito anos —e eu acho isto belo e amo-o!—
Masturbam homens de aspecto decente nos vãos de escada.

Vamos lá abordar estes dois marotos, antes de vos mandar ao veterinário para tratar dessa raiva. Num cenário real, um episódio concreto, isso mereceria a nossa maior vaga de indignação, nada mais humano, tal o episódio em questão. Porém, estamos em terrenos poéticos, onde, mesmo que chovam dedos em riste, a espumar de não-pode-ser-assim, a palavra não pode ser suprimida. A palavra não se verga diante de ninguém. A língua não é vassala de ninguém. A poesia é o último reduto para a língua se descobrir. Chega, apesar de taralhouco, sei que não posso dar mais trela a este assunto. Estamos a ficar todos tantãs e eu acho isto belo e amo-o!
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