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Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.

Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.


Roberto Gamito

24.08.21

O modo como eu pensava distanciava-te de mim. Eu reflectia, tu ias para o twitter mandar graúdas postas de pescada.

Lembras-te de tudo o que levou à discórdia? Faço questão de to recordar: "o problema começa em terra idade". Segundo o teu parecer científico, estaria a atiçar canibais reformados. 

Não gostas de piça, pelo menos não mostraste apreço pela minha. Suportavas a chuva de inéditos de aspirantes a escritores que te chegava às mãos, porém o que te arreliou foi uma mera pila humilde posta em retrato. Apesar das flores, das palavras bonitas rapinadas aos poetas ou aos manjericos, conversávamos como predador e presa. Éramos dois estranhos com uma montanha de dias partilhados. 

Na vida, o que mais me ocupa, cogitava o escritor de pendor erótico, eram os problemas que não conseguia descortinar de pau em riste e que podem parecer disparatados: em que estilo escrever "enterrava-te educadamente o defunto". Confesso que o grande escriba de escrita fodilhona nunca hesita entre cona e pipi. Desafortunadamente, ainda não alcancei esse estado. 

Eu vivia dentro de um fato de ponto de interrogação: vivia em plena dúvida. O meu fado era acabar todas as frases em tom de questão.

Nada me parecia suficientemente polpudo, fluído, ágil, alquímico; nada era suficientemente luminoso nem carnudo. Era tudo a mesma merda, o mesmo prato de uma cantina desleixada. 

Não te menosprezes, homem. O tom da tua voz e os teus vocábulos de pacotilha humedecem-me a cona. Ignoro o que fazer com essa informação, ripostou o homem. Faz um poema. Ou, em faltando-te o jeito, contenta-te em estar calado.

O velhote pediu à mulher uns cobres para algo prosaico, a saber: uns contos para umas putas. No fim de contas, o velho ambicionava um episódio que lhe rasgasse, por uma vez que fosse, o marasmo em que a sua vida se havia tornado. E eis que a puta chega, de pernas destrancadas, como fada do lirismo caquético. Ela e ele revezavam-se num diálogo cansado. Seja como for, velho e puta não estavam na cama para arrecadar um Óscar. Estavam ali para desempoeirar o vetusto piçalho — e isso não é coisa de somenos.

Somos um compêndio de entradas, comentou a rameira, tal qual uma enciclopédia. Abra-me ao acaso e tente perceber-me.

Ausências, loucuras, acessos de ira. Estou farta desta vida, gritou a mulher de Deus. Atribuis tudo aos deveres da tua profissão. E eu? Quando é que vais ter tempo para mim? A merda do universo é mais importante para ti do que eu? 

Que eu não me chame Cabrão, e tu não te chames Puta, ainda hoje me parece inverosímil. De seguida, comeram-se como num filme. 

Vivemos como se a guilhotinha estivesse em vias de cair, impondo ao miolo sacrifícios até que rebenta. Já estou farto de pensar. Por vezes escapulíamo-nos pelas portas das traseiras da diversão e corríamos para empreender rituais báquicos no mato. 

Percebi que o homem se havia metamorfoseado: era feliz, ficou poeta; era comunicativo, tornou-se gárgula; era sábio, passou a frequentar o twitter. Já não recebia carinhos ao pôr-do-sol, logo quando o coração está mais receptivo a apanhar vitamina.

O velho entra sem bago nos aposentos da prostituta.
— O que estás aqui a fazer?
— Estou só a respirar. Gosto de olhar para mamas depois de jantar, ajuda-me a fazer a digestão.
— Se assim é, 20 paus, estas mamas não laboram de graça.

Elogiei-lhe os cabelos, os olhos e por fim as tetas.  

O velho e a rameira

 

 


Roberto Gamito

24.05.21

“Precisa de ejacular desse piçalho?”, pergunta. Só as mulheres inexperientes se exprimem dessa forma. Faça de tudo para dar ares de puta sofisticada.

Proporcionando-se a situação de estar a dar farnel à cobra de um cavalheiro desconhecido, não entregue logo os trunfos do seu repertório de fornicadora calejada. Guarde os melhores números para futuras actuações, ó artista.

Ponha-lhe com humildade a verga na boca, um centímetro de cada vez, como que cavalheirescamente, não vá a mulher ser inexperiente nesses sufocos. O broche, tal como todas as artes, requer tempo. Todavia, em faltando tempo, mas sobrando vontade, pode sugerir um biquinho sôfrego.

Quando ele se esporrar na sua boca, engula pausadamente e até à última gotinha, como se estivesse saboreando uma iguaria gourmet. Se se quiser armar em conhecedora de gastronomia, pode declarar: “Meu querido, o teu esperma é dotado de umas notas aveludas, a textura é assim e assado. Uma experiência a repetir”.

Se se deita com um senhor pela enésima vez e já conhece o pau dele de trás para a frente, pode, nesse caso, interromper a converseta que inaugura o acto sexual. Nessa situação, e sem inconveniente algum, quando, ao abrir a porta de sua casa, ele lhe disser boa noite, agarre-lhe prontamente na picha a fim de verificar se ele trouxe entusiasmo.

Se se quer sentir empoderada, consinta que o homem perca o tesão entre os seus lábios.

Aconselho-lhe este pensamento, quando entrar nas redes sociais e der de caras com mais uma zaragata inconsequente: “Há infelizes que nunca farão entesar ninguém”.

Seria de extraordinário mau gosto vir-se para cima da saia dela no primeiro encontro. Se não puder evitar, espere ao menos pela sobremesa.

Não envergonhe o homem que acabou de fazer o mais incompetente minete. Ele fê-lo certamente no auge das suas capacidades.

Se por uns infortúnios da vida for obrigado a prostituir-se, mostre-se cauteloso no respeitante àquilo que aceita. No pior dos casos, pode ganhar uma aversão ao sexo, o que lhe complicaria a vida. O sexo recreativo é um escape, sem ele, está condenado a uma vida degradante.

Punhetódremo.
Recinto onde seres humanos se reúnem para se masturbar até perder os sentidos. Sinónimo de redes sociais.

Seja exigente. Não se deixe enrabar por todos os que lhe pagam um café.

Seja exigente. Não chupe o mangalho a todos os que lhe oferecem uma rosa.

Arminda era uma puta romântica. Trocava bicos por flores.

Vivemos tempos estranhos, há mulheres que gostam mais de indignações do que de piça. A culpa, provavelmente, é dos homens que, nas suas prestações miseráveis, deram mau nome ao vergalho.

 

Piçalho Cavalheiresco, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

20.05.21

Se o palhaço esguichar a flor que carrega ao peito na sua cara, aceite o privilégio de ter sido escolhido como alvo do esguicho. Não será descabido provar o líquido que o ensopou, pode dar-se o caso de ser sémen. Se tal acontecer, aplauda o palhaço pela ousadia.

À noitinha, quando a sua namorada vier cheia de manhas aconchegar-se rente ao seu caralho, espere que seja ela a tomar iniciativa de abocanhá-lo. A fome dela guiá-la-á, não precisa de guias turísticos.

Não simule um helicóptero com a picha. A menos que ela que tenha uma púbis em forma de H.

Nada contra os homens que, diante da sua fêmea enfarpelada para o pecado, exclamam: “Sou a tua putinha”. Contudo, em bom rigor, dever-se-ia apelidar putinha estagiária, uma vez que não é a foda que põe a pão na mesa.

O casal de comerciantes tinha uma vida íntima hilariante. À cona chamavam caixa registadora, ao pénis, dinheiro, visto que está sempre a entrar e a sair.

Nada é mais desumano do que prometer uma foda ao homem e desmarcá-la em cima da hora por causa de compromissos laborais.
Logo o homem que tinha tanta vontade de dar emprego à cona.

Se fosse dono de um grande nabo, apelidá-lo-ia de verdade. Porque a verdade magoa.

Quando tiver acabado de engolir o esperma do seu amante, e acaso tenha ideias de prolongar a noite, não se ponha a falar de temas burocráticos como política e finanças. Pode traumatizar o pénis, essa frágil criatura.

Se a sua intenção é montar o seu amigo às tantas da manhã, faça questão de avisá-lo umas horas antes. Caso contrário chega com fome de fandango e o seu homem já afadigou o pénis num sem-número de punhetas.

Uma foda tão miserável que, se fosse fotografada, tinha hipóteses de ganhar o prémio da World Press Photo.

Se, à medida que envelhece, sente a coragem a abandoná-lo, há um modo de o confirmar. Comece a pesar os colhões noite sim, noite não.

Não ridicularize o homem se ele não quiser ser chupado. O louco lá terá as suas razões.

O Palhaço e a flor, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

18.05.21

Não apouque a mulher se ela não for grande espingarda na foda. Dê-lhe tempo e formação. E reprimendas no rabo.

Medite ou, em faltando tempo, masturbe-se. Seja como for, vai esvaziar a mente.

Antes de pôr as unhas numa cona, ajoelhe-se e agradeça a Deus por mais uma refeição.

Como retardar a ejaculação de um homem mais impaciente? Fácil, fale-lhe de coisas aborrecidas e, se tudo falhar, discorra sobre o humor português — aborrecido a ponto de retardar a mais apressada verga.

Se por acaso tiver um dia muito preenchido em matéria de fornicação, racione o gemido. Caso não poupe a voz, vai chegar ao terceiro apeadeiro afónica. Ou então terá de enfrentar deixas do tipo: “Queres caralho, minha puta afónica?”

Não se ponha a tagarelar sobre política a minutos de dar alpista à pássara. Nessa altura, a picha não distingue a direita da esquerda. Ao rés de uma crica, o pénis, feito humanista, só se interessa pelo direito do homem.

Enquanto leva a cabo o ritual de felação sofisticado, que é como quem diz, o lançamento do elogio à queima-roupa, se alguém aproveitar a sua posição para enrabá-lo, não seja picuinhas. Veja esse episódio como uma forma de fazer networking. Não digo para dar o cu, digo leiloá-lo. Se for mais desenvolto, até pode perguntar: “Quem dá mais por este cuzinho?”

Se estiver ao lado do poeta aquando de uma apresentação de um livro, faça questão de lhe oferendar uma punheta quando ele estiver a dizer um poema da sua lavra. Registe a mudança de timbre, a animalidade a apossar-se da língua. Como cantou Valete, o mundo muda a cada gesto teu.

Sedução, se bem feita, é simultaneamente uma conversa interessante e uma conversa para encher chouriços.

Será que devo comunicar-lhe que gosto de ser fornicada à bruta?
Será que irei passar uma má imagem de mim? Essas questões merecem chicote nas nalgas.

É-lhe interdito citar nomes de ex-namorados aquando da queca. A foda é um ritual animalesco, não é um sarau de filósofos em que cada um tenta engodar o outro com as palavras dos mestres.

Vou ou não?, questiona-se o homem no recato do seu lar. Em jeito de achega amigável, posso aconselhar-vos. As questões que devem estar em cima da mesa são: ela fode como uma desavergonhada ou como alguém capaz de extinguir o ânimo do caralho menos criterioso; chupa-o com ternura ou com sofreguidão; deixa-se enrabar se a ocasião se proporcionar? Espero ter ajudado.

Fuja a sete pés se ela é daquelas que, no prelúdio da foda, vem com aquelas cantigas de murchar caralhos, do género: “Sabes, quero contar-te uma coisa” Foda-se, mas somos homens, ou somos catraios de bibe a ouvir histórias? Se nos levantamos a altas horas da noite é para dar minutos de voo ao vergalho, não é para coleccionar historietas. Se fosse pelas histórias tinha ficado em casa a ver séries.

Se ela lhe atirar a penosa questão “amas-me?”, responda-lhe à Saramago. As perguntas que esperam de mim um sim ou não são reveladoras da parca inteligência de quem ousou trazê-las à baila.

Mesmo que chupe sardas há vários anos, receba o novo nabo com solenidade. O homem agradecê-la-á e só descansará quando estiver mais húmida que um arrozal.

Se lhe pedirem a cona, é melhor dá-la — lembrem-se de Deus, devemos ajudar os mais necessitados. Não se acanhe, transforme a sua cona na maior filantropa que jamais existiu.

Se é daquelas que diz que a vida é uma tela em branco deve consentir, para bem da coerência, que o seu macho ejacule, a tiros de carabina, para o seu corpinho. Nunca se esqueça que a ejaculação masculina é a mãe da arte abstracta, pelo que o pénis é provavelmente o primeiro artista que pisou a Terra.

Preciso de sexo, exclama uma mulher para a sua amiga. Precisas de sexo?, riposta a amiga. Com que então és feminista. Amiga, só as mulheres de cona agrilhoada é que se exprimem dessa forma.

Cona Agrilhoada, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

17.05.21

O mercado de trabalho é um lugar mágico. De cada vez que te foderem o juízo é como se levassem a cabo o teu desvirginamento. Saltas de primeira em primeira vez sem nunca chegares à segunda: sim, minha querida, dói sempre.

Depois de lhe irem ao rabo com ganas, evite ir logo para as redes sociais contar, com prosa de romancista, a experiência transformadora. Não é coisa que faça sentido entre publicações motivacionais.

Não seja demasiado severo com a pontualidade dos outros. A menos que tenha uma amiga com o hábito de o fornicar a horas certas.

Nunca se esqueça de dizer “tenha a bondade de me auxiliar” quando, de pichota entesada na mão, lhe mendigar um broche.

O sexo não é arena de influencers. Toda a pose é pose digna de figurar numa fotografia.

Se se cruzar com uma mulher perdidamente fodilhona, mesmo que seja um homem dedicado à carreira e a essas bagatelas, peça ao seu patrão quinze dias de férias. Se ele se mostrar intransigente, faça questão de lhe apresentar o problema. Se for humano, facilmente compreenderá a urgência do cenário.

Certifique-se que limpa bem os cantinhos da boca após o broche. Não queira subir ao palanque da palestra nessa figura. Caso se descuide, e suba ao palco com esporra nos lábios, dificilmente acreditarão quando estiver a falar do processo criativo.

Não se queixe à sua actual namorada de que a sua ex-namorada era puritana no quarto e que isso emperrou a sua língua no minete.

Não enfie um pepino avantajado na cona da sua namorada. É certo e seguro que doravante não se contentará com cenouras-bebé. Ou então esteja preparado para ser trocado por um vegetal encorpado.

Se a mulher tomada de calores não se importar de ser examinada na conaça, não lhe enfie a mão, mas o caralho. Diga-lhe que é um ginecologista da nova escola. Pode ser que ela ache graça.

Se apanhar a cozinheira com o rolo da massa no pipi, pergunte-lhe se esse é o segredo da sua cozinha. E ria-se se ela disser: “O que corto no sal, ponho de cona”.

Quando a mulher tem a cona a arder, pegue na mangueira macambúzia e tente, por todos os meios, controlar o fogo. Pelo sim, pelo não ponha o seu caralho no seguro.

Não peça ao poeta mais de três minetes por dia. Não lhe afadigue a língua, a sua ferramenta de trabalho.

Se houver confiança, diga-lhe: “Estás triste? Anda cá a casa que eu encho-te de tesão e exorcizo a tristeza”.

Prefira a clareza em vez da obscuridade. Opte por abordagens do género: “O senhor não deseja o meu cu?” Não atrapalhe o tesão dos outros com prosa barroca. Seja poeta, conciso e tenso.

Exorcizar a cona, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

14.05.21

Se o seu amante chegar mais cedo do que o combinado, não se ponha com piadinhas do género “já estava à espera disto” a fim de passar a ideia batida de que o macho sofre de colhões nervosos.

É de esperar que uma mulher contabilista tenha uma folha de excel onde regista a sua actividade sexual, a saber: quantas vezes levou com ele, uma crítica à performance do macho, se há futuro nesta ou naquela picha, se há propensão para preliminares, o tamanho de sarda (medida a olho), a grossura da dita que, segundo fêmeas no terreno, é um atributo importantíssimo e se a conversa que preludia a foda a humedece ou não. Não espero menos que isto de uma mulher contabilista.

A não ser que seja homossexual, não lhe aconselho chamar à parte a sua melhor amiga para lhe perguntar: “O gajo veio-se dentro de ti?” É o tipo de abordagem que devemos evitar a todo o custo.

Numa conversa entre homens propensos ao romantismo, que também os há no mundo real, é provável que a conversa, quando toca em temas de trancabailado, chegue a este apeadeiro: “Chupou-te com ternura? Engoliu a esporra romanticamente? Deixou-se enrabar sem citar escritores do movimento Romântico?”
Como é fácil de ver, homens sensíveis até dizer chega.

Assim que o pinanço findar, não se ponha com ideias de perguntar à fêmea de cona fumegante como classificaria a actividade coital. É o género de informação que ninguém recebe com prazer.

Mesmo que haja confiança, à pergunta “sabes o que me apetecia”, nunca responda “uma bela verga no olho do cu”. Há fortes possibilidades de ela o bloquear nas redes sociais. Faça de conta que é um cavalheiro que não passa cartão ao sexo. Aguente firme nesse papel até que pingue a primeira nude.

Se for um primeiro encontro, paute a sua conversa pela educação. Que é como quem diz, ofereça a sua picha com toda a cortesia.

Se o cavalheiro preferir enterrá-lo no cu, ofereça-lo imediatamente sem resistência. A vida são dois dias, quanto mais depressa ceder, mais fodas poderá amealhar nesse rabo. Seja esperta.

A cona aburguesou-se. Antigamente fodia-se onde se podia, na rua, num palheiro, no mato. A ideia da foda certa no lugar ideal apunhalou pelas costas muito pénis faminto, perdoem-me a poesia.
O sexo não medra no terreno da idealização.

Pus no meu currículo que trabalhei numa linha erótica. Embora não seja verdade, já muita mulher se masturbou a escutar a minha voz. Era novo e inocente e caí no conto do vigário, isto é, da precariedade, uma vez que o trabalho não foi remunerado. Se fosse hoje, teria pensado melhor, e provavelmente teria ocorrido da mesma forma.

Não se esqueça de dizer “obrigado” quando, findo o hino do tesão durante o qual as palavras fazem a cama à carne, o pénis desconhecido lhe entrar pela cona. Não custa nada sermos educados e dessa forma mostra ao homem que é detentora de uma pachacha hospitaleira.

A foda humaniza homem e mulher. A queca é pôr a picha, a cona, rabo, língua, toque à altura das circunstâncias. Se somarmos tudo, temos um ser humano apto a propagar o amor.

Se estiver a ver um filme com a sua namorada e este entrar numa parte enfadonha, faça-lhe um minete para a manter entretida.
Aqui não há margem para dúvidas: se a mulher adormece, a culpa é do homem.

 

Uma picha à altura das circunstâncias, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

13.05.21

Se uma turba concertada de homens se dignar a ejacular no seu corpinho nu, aceite sem engulhos o privilégio com um sorriso, como se fosse digna de um ritual de purificação — vai ressurgir do rito como uma mulher nova.

Na sala de aula, quando a professora dá uma reprimenda, envergando um fato justo pondo em evidência atributos que nada têm que ver com a matéria leccionada, é preferível deixar o aluno ir à casa de banho acalmar-se.

Quando for penetrada por aquele amante cujo hábito é fodê-la à bruta, não tente refrear o que sente. A sinfonia de gemidos é a música que a cobra zarolha anseia ouvir.

Não empunhe o caralho artificial como se fosse uma espada. A ordem dos cavaleiros da piça há muito que foi desmantelada.

Não proponha à sua melhor amiga, a qual é actriz exímia, um papel, por pequeno e humilde que seja, no teatro de operações carnais. Esse comportamento pode destruir uma amizade. Espere antes que seja ela a sugeri-lo, aí estará a desempenhar o papel de bom amigo: ajudá-la num momento difícil.

Há mulheres que, herdeiras de práticas medievais, ao deparar com um homem a tremelicar de tesão, em vez de o aliviarem, torturam-no com insinuações de cueca. Ao passo que a mulher solícita— graças a Deus! — propõe-lhe remédio santo a fim de lhe aliviar a cruz. Felizmente, ainda restam algumas mulheres boas neste mundo.

Chupe a piça do seu homem como quem acabou de descobrir um gelado no deserto, isto é, como se fosse uma questão de vida ou morte.

Se ele se vier antes de tempo, pergunte-lhe se ele tem um dia preenchido antes de se queixar da sua prestação. É perfeitamente compreensível um homem vir-se antes de tempo se tem uma vida ocupada.

Aprenda a conduzir apenas com uma mão. Nunca se sabe quando é que uma mulher necessita de ser masturbada a caminho de casa.
Infelizmente, é o tipo de coisas que são ignoradas quando tiramos a carta. Por mim, só tinha carta quem conseguisse levar uma mulher ao orgasmo enquanto conduz.

Quando ela, com a carne bem aperaltada numa lingerie, estiver de joelhos diante de um pénis contente, comunique-lhe: “Se me chupares bem chupado, estás perdoada. Este caralho perdoa toda a gente, é a sua melhor qualidade.”

Abstenha-se de ser educado durante o coito. Foda como um bárbaro, como quem vandaliza um santuário.

Não ridicularize a sua amada se ela quiser ser comida paulatinamente como um pitéu gourmet. Como uma sinfonia, a foda é um espectro: os momentos de serenidade podem dar lugar (em havendo vontade) à violência.

Não vá por trás enfiar-lhe os dedos enquanto ela diz um poema para a câmara. Distraí-la-ia da métrica e, em virtude dos gemidos, pode resvalar em arte dadaísta.

Todos os dias, antes de se masturbar, ajoelhe-se e agradeça a Deus o facto de Ele ter inventado a crica.

Se se sentir acometido por um surto de inspiração, diga-lhe: “Será que é dia de mergulhar a verga nessa cona?”

Diante de uma dama madura, não se ponha com rodeios. Não se esqueça que está diante de uma criatura que aprendeu a valorizar o seu tempo.

Dê-lhe um beijo na glande e abençoe-o por lhe ter proporcionado mais um orgasmo. Mesmo que seja mentira; fica sempre bem.

Diga-lhe sem falsas vergonhas que foi uma boa queca. É bom para a auto-estima do caralho, esse Caim.

Enquanto reza de joelhos, não se ponha a sonhar com caralhos. Não misture Deus com coisas sagradas.

Se estiver em condições de ordenhar um cavalheiro, faça questão de dizer que está desejosa de levar com o resultado do labor na cara.

Mal sabem os pais que fecham as filhas a sete chaves que só lhes estão a atiçar o desejo. Com efeito, vão saltar para a primeira picha que lhes aparecer à frente.

Ao encontrar-se com um poeta, não deve, sob nenhum pretexto, confessar que já se tocou com a sua voz. Terá em mãos um problema. A menos que tenha ganas de solucioná-lo.

A Ordem dos Cavaleiros da Piça, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

12.05.21

É interdito fazer desaparecer os objectos pela cona. A menos que a tenha cleptomaníaca, aí sugiro ajuda médica ou um pénis mais compreensivo.

Evite gritar quando, numa discoteca, a música se precipitar no silêncio: “Ela chupa-me que é uma beleza”. Tal pode estragar o clima de festa.

Se for adepto de literatura não se esqueça que a maioria não partilha das suas referências. Para si, O Barão Trepador é um livro de Calvino, para a maioria, um belo título de um filme pornográfico.

Não se ponha de pau feito ao pé de uma réplica da Vénus de Milo como que a atiçá-la, demonstrando que não é como os deuses de picha pequena.

Se tiver que se masturbar numa casa de fados, sincronize o orgasmo com o canto do fadista. Assim passará despercebida.

Se possível não se feche num porta-bagagens com uma donzela com o fito de a fornicar. A menos que seja apreciador de fodas em apneia.

Não tatue no caralho “últimos dias de saldos”. Em vez de a encorajar, perturbá-la-ia. Porém tal táctica pode ter resultados interessantes com mulheres propensas ao consumismo.

Se ela, aquando um encontro fortuito no balcão do bar, lhe perguntar o que está a fazer, não lhe responda “Ando à cata de cona”. Esse tipo de sinceridade raramente é bem recebido.

É inútil pôr-se aos gritos na igreja para advertir o padre que tem carência de pau. Deus, a existir, já informou o pastor.

Se o gajo é chato, foda-o sem mais. É a forma mais eficiente de despachá-lo.

Se o apanhar a masturbar-se, faça-se de surpreendida. Contudo, consinta que a surpresa desemboque em fodanga. É uma oportunidade imperdível para a crica ganhar traquejo.

Se lhe ocorrer dar outro nome ao seu parceiro aquando do enfardanço de piça, diga-lhe que não é ninguém, que é uma manha que usa no sentido de se lubrificar.

De facto, ir ao bordel é uma espécie de turismo para o pénis.

Se finalmente lograr foder o namorado da sua amiga, não corra, a seguir, a gabar-se, como uma tontinha tonitruante, aos ouvidos da maralha. A sua cona pode sofrer um abalo sísmico na reputação.

Bem vistas as coisas, uma mulher que expõe, toda contente, a sua colecção de caralhos artificiais, não dista muito de um americano pançudo que exibe a sua colecção de armas. Ambas as imagens passam o mesmo: falta-lhes algo verdadeiro a que se agarrar.

 

Barão Trepador, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

11.05.21

Nada é mais desumano do que uma mulher desocupada nas redondezas de um homem de pau eriçado, uma daquelas que não se inibe de dizer que pugna por um mundo melhor, um homem apossado por uma estirpe de tesão que, qual tesoura traquinas, corta qualquer linha de raciocínio. Além disso, tem o desplante de argumentar palavrosamente que não o aliviará, mesmo que o futuro do país dependa disso. Custava alguma coisa abeirar-se da criatura enrascada e perguntar: “Precisa de ajuda?”

Findo o ritual da felação, não cuspa a esporra na cara do seu gato. Ele pode ganhar aversão ao leite.

Em tempos idos, grande parte dos jovens perdia a virgindade graças ao empurrão paterno que disponibiliza umas notas com o fito de introduzir o pau novato do filhote em narrativas de adulto, o que oferecia menos inconvenientes económicos, dado que um jovem não é senão um pelintra. Por que raio acham que os homens vos convidam para um café? Não é um estratagema, ó minhas criaturas voluptuosas desejosas de verga, é falta de bago.

Se um ex-namorado se lembrar de vos bater à porta às 4 da manhã, e desafio-vos a pronunciar 4 da manhã sem ser a cantar, com o objectivo de vos montar até de madrugada e, quiçá, enfiar a sarda romanticamente no cu, qual poeta à procura de inspiração, não lhe responda que a sua cona já não é tão ecléctica como outrora.

Enfie-lhe a mão na cona e pergunte-lhe se ela não acha o ventriloquismo a mais prazerosa das artes.

Se ela, à sua proposta de enfiar o chanfalho, responder que prefere masturbar-se sozinha, diga que não se importa de ficar a ver. E complemente com isto: "Uma artista nunca deve afugentar o seu público".

O heterossexual deve ceder o cu para bem da literatura, a qual carece de incentivos de todo o tipo.
Quando ele, numa noite daquelas em que o acaso decidiu acrescentar mais um volume às suas obras, estiver com ganas de ser pneumático, não desperdice a oportunidade de usar uma cartada literária: "Ó Admirável Mundo Novo!"

Se, antes de começar a dar navalhadas de piça na cona ela disser que não fez a depilação, e sentir que o facto de esta possuir pêlo abundante na rata a inibe para o malabarismo de carnes, não desvie olhar pretextando que está habituado a outras visões. Em vez disso, exiba uma magna erecção, a qual a reconfortará com tamanha certeza, que é como quem diz, é hora de fazer o belo.

Volvidos os primeiros cinco minutos do encontro, não lhe comunique marotamente: “Enraba-me, por favor”. Abstenha-se de comentários deste género antes da primeira meia hora de conversa.

Ao promover os atributos da sua amiga a um indivíduo dotado de pénis com a ideia de lhe tranquilizar a cona, não lhe diga que a sua amiga tem um talento olímpico para chupar piças. Tudo o que disser depois disso será inútil.

 

Orbitar em torno do caralho, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

10.05.21


Se lhe faltar talento para conceber uma piada em condições, não proponha ao seu público chupá-lo com vista a mudar de opinião, principalmente se um crítico desprovido de falo estiver a mirá-lo.
Todavia, em havendo condições para a prática de tal actividade, avance sem medo. O broche é o feitiço após o qual o medíocre se transforma em génio.

Não apregoe a sua visão artística, o mundo não aprecia essas cantigas. Doravante arranjará forma de o foder em todas as ocasiões.

Se necessário, contrate pessoas para pôr a mão na braguilha do seu público. Assim será conhecido como o artista que mantém o público quentinho.

Mesmo que tenha em sua posse as mais confiáveis informações sobre as dimensões do falo do comediante, evite dizê-lo aquando de uma pausa na actuação. Tal tem o condão de destruir uma carreira.

Se escutar, durante uma ida à pastelaria, larachas mais atrevidotas, insinuações de braguilha e subentendidos de pendor maroto, não confronte o poeta, nem tão-pouco ouse explicá-las ao público que vegeta ao balcão sem perceber peva. Consinta que o caralho e a cona subtis sejam semeados nas cabecinhas ingénuas sem mais.

Se está de anca afadigada e se encontra a bebericar um café, não berre: “Aquele pau deu cabo de mim”. É o suficiente para mudar a atmosfera do espaço.

Será que o pénis tem habilidade suficiente?, eis o que uma mulher pergunta a si própria a minutos de dar de comer à cona. Apesar de ser uma questão pertinente, é algo que vai além da competência do homem. A sua única incumbência é esfarelar o nabo. O resto são barroquismos de gente exageradamente romântica.

Não se masturbe se estiver na fila do hipermercado. É coisa para atrapalhar a vida a muitas pessoas. Haverá com certeza pessoas que atafulharão os carros com gomas só para terem desculpa de assistir ao filme.

Estão no meu coração, declara a mulher a um grupo de homens. Agora paguem a renda.

Não se ponha à janela, qual Carochinha dos novos tempos, a apregoar a fome da sua cona, mesmo se, acometida por uma colossal vontade de foder, todos os paus solícitos se abstiverem de a fornicar. Isso é coisa para ficar no imaginário da vila.

Evite enviar retratos de picha logo nos primeiros 5 minutos de conversa. É coisa para macular uma cavaqueira que se queria sofisticada.

Não se ponha a bater punhetas numa paisagem deslumbrante com o fito de se vir com o sublime. Os pintores rir-se-iam da sua ingenuidade.

Se, por falta de lugares no banco traseiro do carro, se sentar no colo do seu amigo, não se ponha a sambar, esfregando o cu no vergalho dele para o entusiasmar, a menos que esteja num descapotável.

Se o seu melhor amigo lhe oferecer um minete pelos anos, não lhe responda, em tom arrogante, que a língua dele é latim, uma língua morta. Ia adicionar à relação um terrível incómodo, possivelmente incurável.

Mas sobretudo nunca diga: que texto tão porcalhão é este?! É o tipo de expressões que se devem deixar ao vulgo. Como é fácil de perceber, dou muito valor à sofisticação.

 

Punhetas a Grilos, Roberto Gamito

 

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