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Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.

Fino Recorte

Havia uma frase catita mas que, por razões de força maior, não pôde comparecer. Faz de conta que isto é um blog de comédia.


Roberto Gamito

05.11.21

Antes de mais, é admirável, embora pouco, que os arautos da mediocridade sejam os promotores histéricos da arte, da política e de tudo o que mexe. Não podemos chamar estúpido a qualquer pessoa, há critérios pelos quais devemos separar o trigo do joio. Todavia, ao contrário da felicidade e da riqueza, a estupidez está ao alcance de qualquer um. Inspirada no capitalismo, a estupidez segue uma lógica expansionista. Eis a turba de Napoleões com os copos. Belo quadro! Pintem vocês que o meu pincel foi de férias.

Por preguiça, por falta de tempo, também por falta de talento ou de massa cinzenta, ou por um conforto intelectual que reside em atar em vez de desatar, sou obrigado a confessar-vos que careço de ideias capazes de combater a estupidez.
A conversa, o debate, o diálogo, a troca de ideias, a controvérsia são velhas práticas votadas ao abandono, logo não se perde muito se persistirmos nos terrenos na ambiguidade.

A nossa relação com o tempo, sobretudo o tempo morto, tumultuou-se. As pausas são percepcionadas como estorvos e fazemos de tudo para as obliterar. O pensamento desabrocha nas pausas, no tédio. Esses interlúdios entre dois trabalhos chatos onde fantasiamos sítios, monstros e ideias. A lentidão e a espera são uma espécie de adubo destinado a fertilizar a mente. Esse lado verdadeiramente humano aproxima-nos das plantas — precisamos de tempo e luz para crescermos. Sem pausas, a voz que fala é uma voz desafinada. Doravante ficará impossível chegar ao estágio de animal cantante.

Joga-se algo de muito essencial na tentativa de o Homem contemporâneo expurgar o imprevisível. No regime rápido, sem pausas, dá a ideia — melhor dizendo, ficção — de que somos reis e senhores da nossa vida. O mundo afunila-se, perde espessura, em suma, torna-se unidimensional. Só num mundo despojado das suas várias dimensões é possível retirar o factor de imprevisibilidade da equação. Esse mundo, como é fácil de entender, não existe, é um paraíso artificial. Daí que o resultado fique aquém do esperado. Presentemente, o imprevisível, quando surge, torna-se ainda mais dramático, dado que foi dado como animal extinto. A tentação é olhar para o lado, fingir que não existe, puxar da carabina e liquidá-lo.
A propensão para a literalidade, tão própria do Homem do século XXI, é um retrocesso monumental na nossa relação com o mundo. Regressámos ao instinto. A renúncia ao instinto, termo cunhado por Freud, o qual está no princípio de toda a concepção simbólica, já teve o seu momento. Num mundo sem pausas, sem esperas só o instinto pode triunfar. Eis a nova dinastia dos bárbaros.

 

Animal sem pausas

 


Roberto Gamito

23.02.21

A internet é um sugadouro em permanente actividade. Um vampiro insaciável, se preferirem. Há muitos Homens prontos a estoirar o seu tesouro com ela — essa puta entre putas. Indignação, trends, coscuvilhices e boatos são mel para os ouvidos do Homem do século XXI. Com efeito, perder um episódio dessa magna novela é perder o comboio, é não ter tema de conversa na hora seguinte. É sentirmo-nos postos de parte do curso natural — tumultuário — dos acontecimentos das redes sociais.

Heróis e sacripantas, uns e outros déspotas em formação, confessam nas redes onde o seu tempo é capturado, com ou sem açoites, uma biografia entregue ao tédio. As estroinices do bicho Homem ficam deslindadas. Toda a gente é suspeita. Sevandijas de todos os calibres pululam onde ficcionamos uma vida excepcional. Fazem-se retratos robot para adiantar serviço, adiantamo-nos ao crime. Em suma, integramos uma procissão de doidivanas inveterados. Não há hierarquia que nos separe em altura ou em qualidade; estamos todos à beira da loucura.

Submissos à gravidade que nos aniquila os sonhos um por um, cuspimos profusamente a nossa história para cima dos demais, sem nunca esquecer os detalhes e os ais. O outro, para a maioria, pouco conta. O outro é um bibelot na equação chamada diálogo. Ébrio de amores por mencionar o óbvio ululante, pouco sóbrio para a vida e para a síntese, que mais se pode esperar de uma criatura de miolo esfarrapado? Eco amiúde vertical, eis o que somos.

Eis o que define este tempo: falar, continuar a falar, sem ter nada para dizer. A frase anterior é exemplo disso. Uma atitude de tal calibre é difícil de entender seja em que época for. E todavia não há ninguém que grite: “Alto e pára o baile, que assim não pode ser!”

Volvidas umas horas após nos termos exaurido por inteiro numa discussão nas redes sociais, damo-nos conta que, além de labregos, fomos estúpidos a ponto de não equacionar o desperdício de tempo. De resto, não deixo de pelo menos sorrir e menear a cabeça perante tal espectáculo de imbecilidade. Com uma agilidade e fantasia assombrosas, a língua de quem se derrama nas redes sociais, para além da expressividade e do conteúdo psicológico, é o retrato deste século de sobras.

 

Internet, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

23.12.20

A tortura imposta pelo relógio. A quase perpétua corrida contra o tempo da qual ninguém sai vencedor. Não é difícil compreender que aquilo que nos desassossega é o sentido disto tudo.
A arte é, se vista do ângulo da luz, um conjunto de tentativas bem-intencionadas de persuadir o Homem a ceder à sedução da vida e do mundo. Apesar de tudo, do cardápio de declives e pés que nos espezinham sem folgas, há qualquer coisa neste turbilhão de insignificâncias que importa ser apreciada. Urge encontrar o olhar certo para ver a vida como ela merece ser vista.
Sumariamente, estar vivo é melhor que nada.

A pequenez das nossas façanhas, aliada à nossa desenvoltura em levar a cabo as mais diversas trapalhadas, não esquecendo os enguiços, os equívocos, as dissonâncias entre o pensamento e a acção, conduz-nos a um pragmatismo árido que nos agrilhoa. Procuramos ser compinchas do aqui e do agora, ainda que disso tradicionalmente não façamos alarde. Um magro contributo, é tudo quanto podemos oferecer ao mundo.

A paródia de ridicularizar a nossa existência consiste, em parte, em nos distanciarmos das nossas manias de grandeza. O vocabulário da paródia, raramente posta em palco, uma peça escrita na nossa cabeça, escutada pela nossa multidão de eus, reduz drasticamente — brinco, sensivelmente — a nossa vontade de nos atirarmos de um precipício. O nosso ego sai escangalhado, é o preço a pagar para não enlouquecer.

 

Parodiar a existência, Roberto Gamito

 


Roberto Gamito

16.11.20

No seio desta engrenagem que é o casamento entre a vida e o tempo, só temos uma forma de nos aproximarmos da verdade: pôr a morte em acto a cada passo. Só a morte é dotada de mãos para dar forma àquilo que, mais ou menos orgulhosamente, se nos escapa. O sentimento do irreparável favorece o aparecimento de ideias suculentas. O que pode opor, então, o positivismo tão em voga ou o idealismo diante da morte? Quando muito, estórias para encantar garotos.
 
Estar persuadido de não poder escapar ao destino, estar sempre sujeito à guilhotina seja qual for o caminho que se adopte, ter a certeza que o tempo se ababalha ao olhar para nós, obriga-nos a pôr em acto as palavras mais efervescentes. Ou batemos de frente contra o destino, agigantando-nos, ou tornamo-nos presas indefesas. Seja como for, o desenlace não será bonito. É vital que a morte nos insufle o miolo. Sem ela, os passos não se revelarão grande coisa, não formarão uma dança: apagar-se-ão tão depressa como surgiram, dando a ideia amarga e vera que andámos a vida toda em círculos, qual tubarão enlouquecido gravitando em torno de uma presa inexistente.
 
Eis-nos chegados ao que interessa: a morte não pode coexistir com o eu, como escreveu Cioran. Em aparecendo, a morte diminui-o, extingui-o. Pensar na morte foi o primeiro ritual de esmagamento do ego.
Infelizmente, vivemos no império de Narciso, no reino fictício do Eu. Levámos os últimos séculos a tentar livrar-nos da morte, afastando-a para as catacumbas da civilização. Graças a higienização em curso, a sociedade polida, para usar uma expressão cara aos filósofos, distanciamo-nos das mortos, da agonia, do grito, em suma, do sofrimento. Almofadámos o nosso mundo, acreditamos tê-lo concebido à nossa imagem. Todavia, a morte e o tempo não são domesticáveis. De longe em longe aparecem, seja na forma de uma catástrofe natural, seja na forma de pandemia, fazendo xeque ao Eu. Desabituado a essas lides, em vez de dialogar com a verdade oferecida pela morte, opta pelo caminho mais digerível da conspiração. Compreensível: o Narciso envereda sempre pela senda capaz de acariciar o seu ego.
 
No fundo, todos os medos são filhos do mesmo medo: o medo da morte. Nos domínios da morte, coração e cérebro vivem numa constante inquietação, e as ilusões são banidas para sempre. Doravante somos uma espécie de funâmbulo nervoso em vias de se despenhar.
Não é um bom sítio para quem anda no mundo turisticamente.
 
O Eu insuflado é incapaz de pôr o problema da morte seriamente. Para ele, é preferível continuar da terra da fantasia, inventando histórias desengonçadas e estapafúrdias, as quais tentam explicar um mundo que não existe. O Eu insuflado, mesmo que não saiba, tenta reprimir a ideia da morte a todo o custo: tratamentos de beleza, cirurgias, a procissão da juventude postiça, tudo isso são manobras vãs para fugir à morte. Acrescento: levará uma vida a fugir de si próprio.
 
A conclusão desta áspera tragédia que é a vida — a do Homem do século XXI, só para puxar a brasa à minha sardinha enfezada — mostrará o quanto a fé na juventude eterna é, além de ilusória, estupidamente prejudicial.
 
Há dois caminhos: ou escolhemos o ingénuo sentimento de eternidade proporcionado pelo Eu insuflado e experimentamos uma certa possibilidade de apaziguamento ou então consentimos que a morte nos cultive, transformando os gestos estéreis em gestos fecundos.
 
 
 

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Roberto Gamito

11.03.16

Os textos deste blog são escritos (se houver boa vontade da vossa parte concordarão comigo; suponho que, doravante, especulando sobre a evolução da nossa relação autor-leitor, estes nacos amorfos, estas talhadas de nada, progridam qualitativamente em matéria de disparate; e sim, criei este parênteses graúdo tão-só por pirraça) enquanto a inspiração não chega. É compreensível que se atrase, nunca esquecer que a inspiração é feminina. É um texto intersticial, um tapa-buracos, impressionantemente ambíguo que, com sorte e com a ajuda competente do acaso, há-de adquirir algo aparentado a uma forma, algo que culmine numa identificação, algo que incite os meninos a arreganhar as beiças. Não vale a pena tirar as manitas dos bolsos, está muito frio lá fora como diz a cantilena, e além disso, o ruído estorva-me; lá para o finalzinho do texto perceberão o porquê. Alhures convencionou-se que a Comédia, assim em maiúscula para meter cagaço, tem que ver com identificação; alegra-me sumamente perceber que a lógica de cortar as goelas ao jogral caso o jogral não mexa com as nossas referências não sofreu grandes mudanças. Nunca é de mais relembrar que a internet não é senão uma lâmina. Falar para o boneco, a menos que o boneco seja o Pinóquio, é sempre ridículo, salvo quem se dedica ao ventriloquismo, mas esses, ao contrário dos demais, enfrentam um ridículo que rende algum.

 

Extraordinário!, volvido um punhado maneirinho de linhas, ainda não foi, admitamo-lo, nada nitidamente dito. Se por acaso se deparar com algum episódio da sua vida enquanto calcorreia o texto com o olhar maroto enquanto pensa este indivíduo é um ser cujo cérebro foi substituído por um vazio inconspurcável, então, desculpe-me a franqueza, mas tem sérios problemas mentais. Recomendo-lhe um psiquiatra ou uma marretada nos dedos, dependendo se gosta ou não de comprimidos. Se forem como eu, escolhem a marreta: custo a engolir os ditos. E como ganho ficam com as mãos maiores. Que, se formos a ver bem, é uma coisa boa: funciona como engodo para aquelas mulheres que estimam o comprimento da sarda baseando-se na dimensão da mão.

 

Ainda estão aqui?, não tem de ser necessariamente aqui, um aqui vago, um aqui-aí, vocês sabem como a parvoíce funciona. Bom, se adentrarem no nevoeiro, encontrarão as minhas respostas a todas as grandes questões da Humanidade, como podem ver, nada de muito significativo, nada que possa encetar uma primeira página do Correio da Manhã. Prosseguindo, tenho muitas opiniões, a bem dizer, um pouco sobre tudo, tal qual um canal generalista. Feitas as contas, as opiniões anulam-se umas às outras e pouco se aproveita. Género rescaldo de uma pista de dança aquando o encerramento de uma discoteca. O refugo do refugo. O que ninguém quer. Escusado será dizer que me sinto assim todos os dias.
Deus desligou a omnipresença só porque já não conseguia lidar com o meu semblante taciturno. Foi isso ou o facto de estar muitas horas de pé, já estava a ficar com varizes na barba.

 

A vida é exageradamente difícil. Aqui devia entrar a piada, mas julgo que não faz muito sentido contrariar os ensinamentos dos dias, esses tipos que surgem, em pilha, uns atrás dos outros, sem nos oferecerem nada de especial. Ao menos podiam trazer mirra, sempre mostravam algum interesse por nós. Tenho uma fotografia dos dias encimada por uma moça de seios fartos e firmes, o chamado calendário, e o que é que eu recebo em troca? Ensinamentos?

 

O mundo está à beira do precipício e, segundo sei, o mundo não é um animal com asas. Basta abrir um canhenho de astronomia para verificar o quão vero é a sentença anterior. Nem precisa de ser italiano. Nada me chateia mais do que entrar num bar e perceber postumamente que o estabelecimento é uma sapataria e compreender que bater os meus sapatinhos vermelhos não me leva de volta para a referência com a qual decidi engendrar esta piada.

 

O comediante, ou seja eu, volta e meia parece um amontoado de cacos, cactos corrigirá o disléxico. À semelhança do sujeito comum, finalizarão os outros. A diferença é que uns juntam os cacos com o intuito de gerar uma piada enquanto os outros juntam os cacos para arrumar a vida.

 

Dizer que a morte é certa é uma expressão apressada. Tenho para ali duas arcas a ganhar gelo a fim de, daqui a uns tempos, abrir o meu laboratório de criogenia. Não me dava jeito nenhum morrer. Pelo menos enquanto não descobrir a fórmula para a juventude eterna. Se bem que ser perenemente jovem, sem grandes expectativas de ir em direcção a um estado mais lúcido, dar-me-ia vontade de cometer suicídio.
De vocês espero aquela reacção de enfado, do género: ”Lá está um tipo a propagandear que vamos morrer”, que enfado, ao menos metias isso num meme ou assim, uma imagem de um bichano de maneira a ficar um pensamento encorpado.
Não quero que se macem, mas prefiro o tédio espesso a ter uma conversa com alguém que está constantemente a empecilhar o silêncio.

 

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Roberto Gamito

09.03.16

Não querendo entrar em detalhes, até porque o detalhe é, por norma, uma coisa minúscula e pouco dada a dilatações e eu sou, vamos supor, o parente mais afastado do pequeno, isto é, um sujeito inequivocamente circular, de raio considerável, e perdi-me: ei-la, a primeira frase do blog. Mais: se a gordura fosse ainda formosura, atribuir-me-iam decerto o cognome O Grande, o grande saqueador de frigoríficos. O que, bem vistas as coisas, ir-me-ia impossibilitar a tarefa de penetrar em detalhes; nem veredas quanto mais detalhes. Sucintamente, um início pouco propício a coisas — um precipício ambíguo e enjorcado a transbordar de palavras. Avancemos para as verdades insofismáveis: são crescidinhos e pressinto — sou uma referência internacional nas premonições — em vocês um invejável caparro para aguentar os meus raciocínios.

 

 

Entrei à socapa numa sala desprovida de detalhes, que é como quem diz, uma sala vazia, e empreendi durante largos segundos e outros tantos delgados uma meditação azeda acerca do mundo, do grande até às minudências que lutam dia e noite por um lugar ao sol — ou à sombra — num dos rodapés da História, todavia, tendo bem presente o pensamento filosófico do séc. XXI, o qual postula este tempo como a era das contradições, não fui muito longe na meditação, para não chatear ninguém. Agora que penso no que pensei, admito que foi tempo perdido. Cronos leva sempre a melhor. Correr contra o tempo é pueril, além de cansativo. E a parte chata é que não vamos poder estar presentes na cerimónia de entrega das medalhas, por motivos de força maior. Compromissos profissionais. Se não fosse pelo aparato que designamos erroneamente de vida, e outros particularmente sabujos, nomeadamente os taberneiros, designam por ‘esta merda’, não estaríamos aqui; nem acolá, e desconfio que nem tampouco na casa do caralho. É a vida que nos trouxe cá, o fruto de uma fodanga ocasional, o fruto do acaso, ou fruto do amor, o fruto da inseminação artificial: uma salada de frutas em que muitos passam impecavelmente por bananas. Somos o fruto de uma árvore genealógica outrora regada por um númen, o qual, corre o boato, foi assassinado por um senhor de farto bigode. Basta de elucubrações acerca da temática morte; já demonstrei que sou dotado em matéria de parvoíce, marotamente parvo, apesar de curvado, vergastado pelo destino ou pelo quotidiano, não sei, os gajos revezam-se; a idade já pesa para lá de muito, e tudo isto me confere uma postura ecológica irrepreensível, basta para isso que me pinte de verde.

 


Fomos sequestrados ao nada por instantes e ninguém deu pela nossa falta. Deus morreu, Freud morreu, o Woody Allen não se está a sentir muito bem e eu para aqui a escrever um blog em vez de estar a ganhar dinheiro. Opções.

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